MANAUS (AM) — Em meio ao severo “Plano de Austeridade” que congelou reajustes e cortou o custeio da máquina pública no Amazonas, o governador Roberto Cidade (União Brasil) sacou uma jogada de mestre nos bastidores. Foi publicado no Diário Oficial o Decreto nº 54.217, que institui a Comissão de Governança e Programas Estratégicos do Estado do Amazonas. Sob a justificativa técnica de “aprimorar a qualidade do gasto público e a eficiência administrativa”, Cidade montou um verdadeiro serviço de inteligência financeira encastelado no coração do Palácio da Compensa.
O que ninguém esperava era o tamanho dos superpoderes concedidos a este novo braço político, que passa a funcionar como uma espécie de “órgão espião” contra os próprios secretários de Estado. Segundo a análise minuciosa feita pelo Portal Remador no texto do decreto, os membros da comissão receberam um salvo-conduto inédito: eles têm autoridade legal para acessar sistemas financeiros estaduais, auditar a viabilidade econômica de projetos e “requisitar” sem chance de recusa documentos, estudos, relatórios, cronogramas e dados sob a guarda de qualquer entidade do Poder Executivo.
A Estrutura dos Altos Salários
Enquanto o decreto de contenção de despesas proíbe a criação de cargos e o aumento de gastos com pessoal, a nova estrutura de governança nasce criando privilégios de alto escalão. O Presidente do grupo foi blindado com equivalência institucional ao cargo de Secretário Executivo, herdando todos os direitos, prerrogativas e o gordo padrão financeiro da função.
Para dar sustentação ao monitoramento, a Casa Civil vai abrigar outros cinco “Membros Técnicos”. Cada um deles foi aquinhoado com o status e o salário de Secretário Executivo-Adjunto. Toda essa folha de pagamento paralela correrá por conta das dotações orçamentárias da Secretaria de Estado da Casa Civil.
“Compete à comissão requisitar aos órgãos e entidades informações, documentos, dados, relatórios e acessos necessários ao desempenho de suas atribuições… bem como acessar sistemas financeiros e patrimoniais”, dita o artigo 4º do texto assinado por Roberto Cidade.
A Blindagem do Silêncio e o Alvo nas Eleições
Para analistas políticos consultados pelo Portal Remador, a jogada de Roberto Cidade é puramente tática. Ao centralizar as informações de arrecadação, contratos e patrimônio nas mãos de seis pessoas de sua estrita confiança, o governador esvazia o poder de negociação de secretários herdados da gestão de Wilson Lima e passa a ter o raio-x completo de onde o dinheiro está saindo e para onde está indo.
O texto do decreto também se preocupou em amarrar a língua dos escolhidos. O artigo 7º impõe a obrigatoriedade do sigilo funcional absoluto e restrições legais severas sobre tudo o que for descoberto nas auditorias internas. O grupo ganha o poder de investigar por dentro, mas fica proibido de externar as irregularidades encontradas, deixando a decisão de punir ou abafar exclusivamente nas mãos de Roberto Cidade.
Com as eleições de 2026 batendo à porta, o controle sobre os chamados “programas estratégicos de relevante interesse governamental” vira a chave mais valiosa do Estado. Quem tiver a caneta dessa comissão controla o ritmo das obras no interior, o pagamento de fornecedores e a liberação de orçamentos estratégicos para os prefeitos aliados.
O Portal Remador entrou em contato com a Casa Civil para obter a lista com os nomes dos seis integrantes designados para as vagas de secretários executivos da nova comissão, mas até o fechamento desta reportagem investigativa, o Governo do Estado manteve os nomes sob total sigilo.







CONTEÚDO ESTRATÉGICO REMADOR
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