MANAUS (AM) — A ex-deputada federal Carla Zambelli está um passo mais próxima de cumprir sua pena em solo brasileiro. A Corte de Apelação da Itália decidiu, nesta quinta-feira (26/03), autorizar a extradição da ex-parlamentar para o Brasil. A confirmação partiu da Embaixada brasileira em Roma, após meses de tramitação jurídica internacional. Zambelli, que teve o mandato cassado e foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi presa em julho do ano passado em uma operação coordenada com a Interpol.
O que ninguém esperava era o rigor da Justiça italiana em negar todos os pedidos de prisão domiciliar feitos pela defesa. Alegando problemas de saúde, os advogados tentaram converter a custódia, mas a Corte manteve a ex-deputada na penitenciária de Rebibbia, sob o argumento de que os crimes cometidos no Brasil possuem equivalência jurídica que justifica a manutenção da prisão preventiva para fins de extradição.
Entenda o Caso: A Invasão ao CNJ
A condenação principal de Carla Zambelli soma 10 anos de reclusão. Segundo o acórdão do STF, ela foi a mentora intelectual da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em janeiro de 2023. O ataque, executado pelo hacker Walter Delgatti, resultou na inclusão de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo informações apuradas pelo Portal Remador, a perícia técnica e o depoimento de Delgatti foram cruciais para ligar a ex-deputada diretamente ao crime de inserção de dados falsos em sistema de informações.
Além deste processo, pesa contra Zambelli a condenação de 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso refere-se ao episódio ocorrido em outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições, quando a ex-parlamentar perseguiu um jornalista com arma em punho pelas ruas de São Paulo.
“A investigação buscou apurar as causas e identificar a responsabilidade direta na manipulação de sistemas do Judiciário, configurando crime grave contra as instituições brasileiras”, ressaltou o relatório do STF à época.
Trâmites e Recurso
Apesar da autorização judicial da Corte de Apelação, o processo ainda não está encerrado. A defesa de Zambelli pode recorrer à Suprema Corte de Cassação da Itália. Caso a decisão judicial seja mantida em última instância, o processo segue para a esfera administrativa, onde o Ministério da Justiça da Itália dará a palavra final sobre a entrega da brasileira às autoridades federais.
No Brasil, a Polícia Federal já prepara a logística para o translado, que deve ocorrer em voo oficial assim que todos os prazos recursais em território europeu forem esgotados. A defesa tentou, sem sucesso, alegar parcialidade dos magistrados italianos e do sistema judiciário brasileiro para barrar o envio, mas os pedidos foram rejeitados por falta de fundamentação.




