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Fraudes com IA obrigam bancos a transformar segurança digital em disciplina de engenharia

Ferramentas avançadas conseguem identificar padrões suspeitos com mais rapidez, mas só entregam resultados consistentes quando operam sobre dados confiáveis, integrações seguras e monitoramento contínuo.
Por Redação do Portal Remador
Publicado: 27/07/2026 08:35 Atualizado: 27/07/2026 08:35
Fraudes com IA obrigam bancos a transformar segurança digital em disciplina de engenharia
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Por Marcelo Marchi, CEO e sócio fundador da Vericode

O avanço das fraudes financeiras impulsionadas por inteligência artificial está mudando a forma como bancos e instituições financeiras precisam encarar a segurança digital. Durante muito tempo, a proteção contra golpes foi tratada como uma camada especializada, responsável por identificar comportamentos suspeitos e bloquear ameaças. Hoje, essa abordagem se mostra insuficiente. Quando criminosos utilizam IA para criar documentos falsos, simular identidades e produzir deepfakes cada vez mais convincentes, a discussão deixa de ser apenas sobre detecção de fraude e passa a envolver a própria confiabilidade dos sistemas que sustentam as operações financeiras.

O tamanho do desafio ficou evidente no Febraban SEC 2026. Segundo dados do Banco Central apresentados no contexto do evento, os incidentes cibernéticos no Sistema Financeiro Nacional aumentaram 29% em 2025 em relação a 2024, enquanto os casos classificados como fraude passaram de 9 para 39 no mesmo período. Não se trata apenas de um crescimento quantitativo. Os ataques digitais estão mais sofisticados, automatizados e difíceis de identificar, especialmente com o uso crescente de inteligência artificial. Em muitos casos, a fraude não explora uma vulnerabilidade isolada, mas uma sequência de pequenas falhas em integrações, autenticações e processos digitais. Por isso, a resiliência do sistema passa a ser tão importante quanto a capacidade de detectar o ataque.

Sendo assim, segurança digital precisa ser tratada como uma disciplina permanente de engenharia. A confiabilidade de uma operação financeira depende da capacidade de validar integrações, monitorar aplicações em tempo real e identificar comportamentos anômalos antes que eles se transformem em incidentes. Jornadas críticas como Pix, meios de pagamento e autenticação digital exigem sistemas preparados para operar sob pressão constante. Quando uma falha ocorre, o prejuízo não se limita à perda financeira. A confiança do usuário também entra em risco, e recuperá-la costuma ser muito mais difícil do que corrigir um problema técnico.

Ferramentas avançadas conseguem identificar padrões suspeitos com mais rapidez, mas só entregam resultados consistentes quando operam sobre dados confiáveis, integrações seguras e monitoramento contínuo. Sem uma estrutura capaz de validar e supervisionar essas operações, a própria tecnologia pode ampliar vulnerabilidades em vez de reduzi-las.

A evolução das práticas de desenvolvimento ajuda a mostrar o caminho. Conceitos como DevSecOps ganharam espaço justamente por defender que segurança seja incorporada desde o início do ciclo de desenvolvimento e não apenas validada ao final. Da mesma forma, testes contínuos, auditorias frequentes, observabilidade e automação passaram a ser elementos centrais para organizações que operam sistemas críticos. O objetivo não é apenas evitar ataques, mas construir ambientes capazes de responder rapidamente quando eles acontecem.

O setor financeiro sempre conviveu com riscos. A diferença é que agora esses riscos evoluem na mesma velocidade das tecnologias que deveriam combatê-los. Por isso, a vantagem competitiva não estará apenas em quem utiliza mais inteligência artificial, mas em quem consegue combinar inovação com confiabilidade. Segurança digital deixou de ser uma barreira de proteção posicionada no fim da operação. Ela passou a ser parte da engenharia que sustenta a continuidade, a confiança e a credibilidade do sistema financeiro.


*Marcelo Marchi é CEO da Vericode, empresa especializada em engenharia de qualidade, testes de software, observabilidade, DevSecOps e cibersegurança. Fundador da companhia em 2003, atua há mais de duas décadas apoiando organizações na construção de sistemas digitais mais seguros, resilientes e confiáveis, com foco em qualidade de software, transformação digital e inovação tecnológica.

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