IPIXUNA (AM) — O Ministério Público do Amazonas (MPAM) quer passar um pente-fino na farmácia hospitalar de Ipixuna. A Promotoria de Justiça da comarca instaurou um procedimento administrativo para acompanhar, de ponta a ponta, como o município recebe, armazena e descarta medicamentos e insumos na Unidade Hospitalar Maria da Glória Dantas de Lima. A medida visa estancar o desperdício de dinheiro público e garantir que a saúde da população não seja comprometida por falhas logísticas.
O que ninguém esperava era o teor da justificativa apresentada pelo município: segundo a Promotoria, a prefeitura local relatou que o recebimento de materiais com prazo de validade “no limite” é uma prática recorrente por parte do Governo do Estado. Essa situação obriga a unidade a uma corrida contra o tempo para utilizar os insumos antes que vençam, o que nem sempre é possível devido à complexidade da logística no interior.
Entenda o Caso
A investigação, assinada pelo promotor de Justiça José Ricardo Moraes da Silva, nasceu da Notícia de Fato nº 232.2025.000043. O documento aponta que o controle de validade e a destinação final de itens hospitalares enviados pelo ente estadual podem estar fragilizados. O MPAM quer entender se o prejuízo ao patrimônio público ocorre por negligência no armazenamento local ou se o Estado está, de fato, “desovando” lotes próximos ao vencimento em municípios distantes da capital.
“A medida fundamenta-se na necessidade de assegurar a preservação do patrimônio público e da saúde, garantindo que o controle de validade siga rigorosamente as normas”, destacou o promotor.
Fiscalização e Transparência
Com o procedimento aberto, o Ministério Público passará a realizar inspeções e exigir relatórios detalhados da gestão hospitalar. O foco será verificar as condições físicas de armazenamento (climatização e organização) e o fluxo de entrada e saída. A ideia é atuar de forma preventiva: se o medicamento vai vencer, ele precisa ser remanejado ou utilizado com prioridade.
A fiscalização em Ipixuna acende um alerta para outras calhas de rios do Amazonas, onde o transporte de insumos pode levar semanas. O MPAM busca agora assegurar que os recursos destinados à saúde não apodreçam nas prateleiras por falta de planejamento ou por falhas na cadeia de suprimentos entre Manaus e o interior.
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