Após receber denúncias de moradores e trabalhadores, o prefeito de Manaus, Renato Junior, vistoriou na noite desta quarta-feira (29) o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Enfermeira Eliameme Rodrigues Mady, no bairro Galileia, na zona Norte da capital. A fiscalização in loco constatou a paralisação do equipamento de raio-X há mais de um mês, atrasos nos pagamentos de profissionais da saúde e a ausência de insumos básicos, como copos descartáveis nos bebedouros.
A ação ocorreu após o governador Roberto Cidade atribuir, em entrevista coletiva, parte da superlotação das unidades estaduais à regulação feita pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em resposta, o prefeito rebateu as declarações do Executivo estadual e afirmou que a sobrecarga nos hospitais ocorre porque diversos equipamentos e unidades da rede estadual estão inoperantes.
“O Samu busca as pessoas e faz a regulação. Quando chega a um SPA e o raio-X está quebrado, esse paciente precisa ser levado para outra unidade que tenha condições de atendê-lo. […] Eu não vou permitir que o governador jogue a sua irresponsabilidade nas costas do Samu, de homens e mulheres que estão na rua salvando vidas”, declarou Renato Junior.
Aparelho inoperante, calote em servidores e retenção de macas
Durante a vistoria na sala de exames, funcionários da unidade confirmaram que o aparelho de raio-X permanece fora de operação há mais de 30 dias. A inoperância do equipamento impede o diagnóstico e atendimento de pacientes com suspeita de fraturas e traumas na zona Norte, forçando o redirecionamento dos casos para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, o que gera a superlotação da unidade.
A fiscalização também evidenciou a falta de insumos elementares para a população, obrigando usuários a comprarem recipientes no comércio local para conseguir beber água nos bebedouros. Além disso, médicos, enfermeiros, maqueiros e técnicos de enfermagem relataram meses de atrasos salariais.
O gargalo estrutural atinge ainda o socorro de urgência da capital: diante da falta de leitos nas enfermarias do Estado, as macas do Samu acabam ficando retidas nos corredores do SPA para servir de leitos improvisados, impedindo o retorno imediato das ambulâncias para o atendimento das ruas.
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