A cultura de associar o cuidado com a saúde à perda de produtividade física e profissional permanece como um dos principais gargalos para a medicina preventiva entre os homens. O hábito de atribuir alterações corporais ao estresse, ao envelhecimento ou à rotina de trabalho faz com que sintomas iniciais de diferentes patologias sejam ignorados. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima a ocorrência de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no triênio 2026–2028, tipo de neoplasia que representa 30,5% de todos os cânceres diagnosticados em homens no país, excluindo o câncer de pele não melanoma.
“Muitos homens cresceram associando saúde à capacidade de continuar trabalhando e cumprindo suas responsabilidades. Enquanto conseguem manter a rotina, tendem a minimizar alguns sinais do organismo. O problema é que conseguir manter a rotina não significa necessariamente estar saudável. Quando o homem insiste que ‘não é nada’ sem investigar, pode perder a oportunidade de identificar e tratar uma condição de saúde em uma fase mais favorável”, afirma Tiago Negrão, urologista e professor de Medicina na UniCesumar de Maringá (PR).
Esse cenário epidemiológico confirma que a persistência em ignorar sinais iniciais sobrecarrega o sistema de saúde e limita o combate ao câncer de próstata. Para reverter esse quadro, torna-se indispensável substituir a busca por atendimento em momentos de urgência pelo acompanhamento preventivo contínuo.
Além da próstata: impactos na saúde cardiovascular e metabólic
O atraso na busca por auxílio médico ocorre devido a padrões comportamentais consolidados, nos quais admitir um problema de saúde é percebido como fragilidade. Alterações como jato urinário fraco, necessidade frequente de urinar durante a noite, diminuição do desejo sexual, disfunção erétil, fadiga persistente e perda involuntária de peso costumam ser negligenciadas até que comecem a interferir na rotina diária.
O impacto do adiamento na procura por ajuda vai além das patologias prostáticas e dificuldades de ereção, por exemplo, podem sinalizar alterações vasculares e metabólicas subjacentes, funcionando como marcadores de risco cardiovascular. Além do câncer de próstata, o receio do diagnóstico e a priorização contínua do trabalho em relação ao autocuidado atrasam a identificação de condições silenciosas como hipertensão arterial, diabetes, doenças renais, problemas cardíacos e o câncer colorretal.
“Existe uma construção cultural que ensinou muitos homens a associar força à capacidade de suportar dificuldades sem demonstrar fragilidade. Reconhecer uma alteração no organismo e procurar avaliação médica não diminui a autonomia ou a masculinidade de ninguém. Pelo contrário, é uma atitude de responsabilidade com a própria saúde e com a qualidade de vida. O Novembro Azul deve ser entendido como uma oportunidade de ampliar o cuidado com a saúde do homem. A próstata é uma parte importante dessa discussão, mas não representa toda a saúde masculina”, destaca o urologista.
Principal barreira: receio de descobrir doenças graves
O medo de descobrir doenças graves e a dificuldade de abordar alterações na intimidade figuram entre as principais barreiras que afastam o público masculino dos consultórios. Além do receio de diagnósticos como o câncer ou da necessidade de tratamentos cirúrgicos, o constrangimento em relatar sintomas urinários, perda de libido e disfunção erétil faz com que os homens evitem a avaliação profissional. Essa hesitação é reforçada pela tendência de priorizar o trabalho e os compromissos familiares, mantendo a busca por atendimento em segundo plano enquanto o desconforto físico parece tolerável.
“Adiar a consulta não impede o avanço de patologias silenciosas. A investigação precoce de qualquer alteração no organismo é determinante para compreender as causas do problema, acompanhar sua evolução e estabelecer o protocolo terapêutico mais adequado. No caso de neoplasias e outras condições crônicas, a identificação nas fases iniciais amplia as opções de tratamento disponíveis e favorece o prognóstico e a qualidade de vida do paciente”, conclui o docente da UniCesumar.
Sobre a UniCesumar
Com mais de 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de cerca de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça). No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.
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