O clima quente da campanha eleitoral fez com que o número de reclamações pelo bloqueio de contas nas redes sociais da Meta registrasse um aumento de quase cinco vezes na reta final do segundo turno. É o que mostra um novo levantamento da legaltech Resolvvi, que dá suporte a usuários que tiveram perfis desativados indevidamente na internet.
Em 23 de outubro, um levantamento mostrou que a Meta excluiu quase 90% das contas bloqueadas que chegaram à Resolvvi na primeira quinzena do mês. O novo levantamento da startup jurídica revela o que veio antes de parte desses banimentos: publicações sobre política e campanha eleitoral.
Na última semana da campanha eleitoral, entre 19 e 25 de outubro, a startup jurídica registrou, pelo menos, 20 casos de bloqueios por posts políticos efetuados pela Meta (dona do Instagram, Facebook e Whatsapp). O volume cresceu 368% em relação à média registrada nas quatro semanas anteriores ao período mais intenso da campanha eleitoral.
Segundo o CEO da Resolvvi, Bruno Arruda, quase metade dos casos registrados nesse período (47,5%) envolveu conteúdo diretamente eleitoral, como posts de campanha, apoio a candidatos ou menção a “turno” e “urna”. Já as publicações com críticas ou elogios a políticos, sem referência direta à eleição, registraram 42,6% das reclamações registradas na legaltech.
Os banimentos atingiram os dois lados da disputa no segundo turno. Perderam o perfil eleitores que entraram na trend da camisa verde-amarela fazendo o “L” de Lula, mas também outros que criaram fã-clube de Flávio Bolsonaro ou que só republicaram vídeos de campanha. Quem fez críticas aos dois candidatos também acabou sofrendo bloqueio da Meta. Em comum, as contas caíram horas depois, em alguns casos com o número de seguidores do perfil despencando antes do banimento.
O caso mais grave se repetiu em três relatos, pelo menos. Um usuário publicou sobre política e recebeu a notificação de banimento por abuso sexual infantil ou conteúdo sexual, sem qualquer relação com o tema que havia postado. Outro informou que fez uma denúncia contra um perfil (que se apresentava como jornal) por espalhar desinformação. Logo depois, viu a própria conta travar. Alguns registros não conseguiram nem apontar a publicação que levou ao bloqueio da conta.
O Instagram aparece em 80% dos casos com posts políticos. Já o Facebook responde por 31%, já que parte dos usuários perdeu as duas contas da Meta ao mesmo tempo.
O fenômeno atingiu também o WhatsApp, onde algumas pessoas relataram que o fato de encaminhar mensagem de apoio a um ou outro candidato apareceu entre os motivos relatados pelo banimento da conta.
“Temos visto muitos relatos de que a plataforma bloqueia o perfil e não informa os motivos. Quando diz, a acusação não tem nenhuma relação com o que a pessoa publicou”, comenta Arruda. “Quem teve a conta apagada não precisa aceitar a decisão da plataforma como definitiva. É possível questionar na Justiça e exigir que a empresa explique o bloqueio.”
A Meta precisa responder: quantas contas brasileiras foram derrubadas desde o início da campanha? Quantas depois de publicações políticas? E por que usuários que falaram de eleição receberam notificação de abuso sexual infantil?
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