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1º TURNO: FALTAM 66 DIAS

Construtora citada em operação da PF fatura nova bolada de R$ 329 milhões com o DNIT no Amazonas

Empresa ligada ao pai do governador do Acre acumula quase R$ 1 bilhão em obras no estado sob o silêncio do órgão federal, que ocultou detalhes da licitação no Diário Oficial.
Por Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Publicado: 29/07/2026 18:25 Atualizado: 29/07/2026 18:25
Construtora citada em operação da PF fatura nova bolada de R$ 329 milhões com o DNIT no Amazonas
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MANAUS (AM) — A máquina de contratos milionários do Governo Federal na Amazônia não para de girar para os mesmos nomes de sempre. O superintendente regional do DNIT no Amazonas, Orlando Fanaia Machado, assinou a homologação da Concorrência Eletrônica nº 90326/2025-01, carimbando a vitória da Construtora Etam Ltda. O ato oficial, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 28 de julho de 2026, garante mais R$ 329,1 milhões para os cofres da empreiteira.

No entanto, o que deveria ser um ato transparente de gestão pública acendeu o sinal vermelho nos bastidores da fiscalização. O documento oficial de homologação omitiu propositalmente os detalhes mais básicos do contrato: não há menção sobre qual rodovia receberá a obra, o que exatamente será feito nem qual é o prazo de execução dos trabalhos no território amazonense.

Entenda o Caso: Quase R$ 1 bilhão acumulado e o rastro da Operação Ptolomeu

Esta não é uma vitória isolada. A Construtora Etam vem construindo um verdadeiro monopólio de obras federais no estado. Apenas nos últimos três meses, a empresa garantiu uma fatia bilionária no Amazonas. Em maio de 2026, abocanhou R$ 362 milhões para a repavimentação da BR-319. Em junho, levou outros R$ 223,5 milhões para manutenção da mesma rodovia. Somando a nova homologação, a empresa já acumula assustadores R$ 914,6 milhões em verbas do DNIT no estado.

A trajetória da empresa, contudo, é marcada por graves sobressaltos policiais. A Construtora Etam foi um dos alvos principais da Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga esquemas de corrupção, propina e lavagem de dinheiro na cúpula do governo do Acre. A empresa tem como sócio-administrador Eládio Messias Cameli, pai do atual governador acriano, Gladson Cameli.

Em março de 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a suspender as atividades da empreiteira por 90 dias devido às suspeitas de corrupção. Contudo, em abril do mesmo ano, o plenário do tribunal liberou as operações da empresa fora do estado do Acre — brecha que permitiu a expansão agressiva e a conquista de fatias bilionárias do orçamento federal no Amazonas.

Com a homologação concluída, o próximo passo formal é a assinatura do contrato entre o DNIT e a empreiteira. O Portal Remador entrou em contato com a assessoria de imprensa para saber esses R$ 329 milhões serão aplicados no solo amazonense, mas até o momento não obeve respostas, o canal segue aberto.

Foto de Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Redação Remador

Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM

Weliton Nunez é jornalista profissional (MTB 1697/AM) com ampla experiência na cobertura política, econômica e cotidiana do Amazonas. Fundador do Portal Remador, dedica-se a levar informação precisa sobre Manaus e os municípios do interior, com foco em transparência e interesse público. Especialista em análise política regional e cobertura das Eleições 2026.