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Saullo ataca alvos da Polícia Federal, mas ‘esquece’ a própria prisão temporária e buscas do MP

Deputado faz discurso sobre dinheiro público, mas sua própria trajetória inclui prisão temporária, buscas e investigações envolvendo suspeitas sobre contratos públicos
Por Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Publicado: 18/09/2026 19:16 Atualizado: 18/09/2026 19:20
Saullo ataca alvos da Polícia Federal, mas 'esquece' a própria prisão temporária e buscas do MP - Portal Remador
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Manaus (AM) — O deputado federal Saullo Vianna (MDB) adotou um discurso de cobrança sobre responsabilidade com o dinheiro público ao comentar uma recente operação da Polícia Federal no Amazonas. A fala, porém, chama atenção quando confrontada com o próprio histórico político do parlamentar.

Durante agenda política em Itacoatiara, Saullo afirmou que valores investigados em operações policiais representam recursos que pertencem à população.

“Essa operação da Polícia Federal que aconteceu essa semana, que afastou o prefeito, que envolveu o deputado federal, que mandou um milhão em dinheiro pra Brasília, com três empresários, é o teu dinheiro que tá lá. É o dinheiro do povo que tá fatiado que tá lá”, declarou.

A cobrança é contundente. Mas o discurso atual coloca sob os holofotes uma trajetória que o próprio deputado talvez preferisse não revisitar quando o assunto são operações policiais, investigações e suspeitas envolvendo recursos públicos.

Saullo já foi preso pela Polícia Federal

Em dezembro de 2018, poucos meses depois de ser eleito deputado estadual, Saullo foi preso temporariamente pela Polícia Federal durante uma investigação que apurava suspeitas de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e violação de sigilo funcional.

O parlamentar chegou a ser encaminhado ao Centro de Detenção Provisória Masculino II, em Manaus.

O episódio, contudo, não terminou em condenação. Posteriormente, a Justiça Eleitoral anulou provas obtidas no procedimento e determinou o arquivamento de inquéritos relacionados ao caso.

O desfecho jurídico precisa ser registrado, mas não apaga o fato histórico de que o deputado que hoje utiliza operações policiais para cobrar responsabilidade de outros também já passou pela experiência de ser preso durante uma investigação da própria Polícia Federal.

Pai foi preso e deputado virou alvo de nova operação

Em novembro de 2020, o nome de Saullo voltou ao centro de uma investigação federal.

Na Operação Ponto de Parada, que apurava suspeitas de irregularidades envolvendo uma licitação para transporte escolar em Presidente Figueiredo, Saullo foi alvo de busca e apreensão.

Seu pai, Sérgio Vianna, foi preso temporariamente.

As investigações envolviam suspeitas de fraude em licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A Justiça também determinou medidas patrimoniais no âmbito do caso.

Mais uma vez, é necessário fazer a distinção: ser investigado ou alvo de busca e apreensão não significa ser condenado.

Outro alvo no ano seguinte

A sequência não terminou ali.

Em fevereiro de 2021, Saullo apareceu novamente entre os alvos de uma operação, dessa vez realizada pelo Ministério Público do Amazonas.

A Operação Cachoeira Limpa investigava suspeitas de fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas a contratos públicos em Presidente Figueiredo.

Segundo o MP-AM, o possível prejuízo aos cofres públicos era estimado em aproximadamente R$ 23 milhões.

O Ministério Público chegou a pedir medidas mais severas contra o parlamentar, mas pedidos de prisão e afastamento foram negados pela Justiça. Saullo foi alvo de busca e apreensão.

Na ocasião, o deputado afirmou que nada havia sido comprovado contra ele e disse estar à disposição das autoridades.

O discurso de hoje e o histórico de ontem

É justamente aí que surge o contraste político.

Saullo cobra responsabilidade de outros diante de uma investigação e afirma que o dinheiro eventualmente desviado “é o dinheiro do povo”. A defesa da fiscalização dos recursos públicos é legítima, mas o histórico do próprio deputado acrescenta contexto à cobrança.

O parlamentar que hoje transforma uma operação policial em argumento político já foi preso temporariamente pela Polícia Federal, posteriormente teve o nome relacionado a outras investigações e foi alvo de mandados de busca e apreensão.

Nenhum desses fatos, isoladamente, equivale a uma condenação criminal, e os diferentes procedimentos tiveram desdobramentos próprios. No caso de 2018, houve inclusive anulação de provas e arquivamento de inquéritos.

Ainda assim, quando Saullo cobra explicações de outros e utiliza investigações como instrumento de discurso político, sua própria trajetória também passa a fazer parte do debate público.

Afinal, a régua utilizada para cobrar transparência, responsabilidade e respeito ao dinheiro público dos adversários também pode ser aplicada ao histórico de quem faz a cobrança.

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Foto de Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Redação Remador

Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM

Weliton Nunez é jornalista profissional (MTB 1697/AM) com ampla experiência na cobertura política, econômica e cotidiana do Amazonas. Fundador do Portal Remador, dedica-se a levar informação precisa sobre Manaus e os municípios do interior, com foco em transparência e interesse público. Especialista em análise política regional e cobertura das Eleições 2026.