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De volta às pistas: jovem completa 5 km após cirurgias e 20 meses de reabilitação de fratura sofrida na infância

Suzanne, de 18 anos, sofreu uma fratura no fêmur aos sete anos, passou por três cirurgias no HUGV e encontrou na própria história inspiração para cursar Fisioterapia
Por Leuzimar Rodrigues | jornalista MTB 1705/AM
Publicado: 18/09/2026 11:24 Atualizado: 18/09/2026 11:25
De volta às pistas: jovem completa 5 km após cirurgias e 20 meses de reabilitação de fratura sofrida na infância
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Manaus (AM) – Cruzar a linha de chegada de uma corrida de cinco quilômetros teve um significado especial para Suzanne Ramos dos Santos, de 18 anos. No último domingo (13), ela completou uma prova de 5 km em Manaus, depois de uma trajetória marcada por cinco cirurgias, reabordagens no tratamento e mais de 20 meses de reabilitação, que envolveram cuidados físicos e emocionais e chegaram a interromper seus planos de estudar e praticar esportes.

A história começou aos sete anos, quando Suzanne sofreu uma fratura no fêmur após um acidente na escola. Passou por duas cirurgias iniciais em um hospital da rede pública de Manaus e, aos 14 anos, começou a ser acompanhada no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil. Na unidade, foram realizados outros três procedimentos cirúrgicos, além de novas etapas do tratamento e da recuperação.

Nos últimos 20 meses, Suzanne passou por um processo de reabilitação que envolveu profissionais de Ortopedia, Fisioterapia, Psicologia e Educação Física. “A parte mais difícil é você deixar de fazer coisas que gosta. Sempre fui muito apegada aos esportes e tive que parar. Foi bem complicado”, conta Suzanne.

Entre avanços e recomeços

Um dos momentos mais difíceis veio quando Suzanne começou a comparar sua evolução à de outros pacientes. “As pessoas que tinham iniciado a fisioterapia comigo estavam recebendo alta porque já estavam boas, e eu continuava no mesmo ciclo. Para mim, eu não estava melhorando”, recorda.

O fisioterapeuta do HUGV, Victor Aquino, explica que a recuperação não ocorreu de forma linear. “Foi um caso complexo, com diferentes etapas e reabordagens ao longo do tratamento. Em alguns momentos, foi preciso interromper a reabilitação, depois recomeçar. E não estávamos lidando apenas com uma limitação física. Suzanne teve os estudos, o esporte, a autonomia e seus projetos de vida afetados. Por isso, foi necessário coordenar o cuidado entre diferentes profissionais, sempre considerando também os objetivos dela”, explica Victor.

Para Victor, chegar aos 5 km depois desse percurso também pode servir de incentivo a outros pacientes. “A reabilitação nem sempre acontece no tempo que a gente gostaria e pode ter avanços, pausas e momentos de frustração. A trajetória da Suzanne mostra que é importante não desistir diante dessas dificuldades. Vê-la hoje retomando o esporte pode inspirar outras pessoas que enfrentam processos semelhantes a continuarem a reabilitação e acreditarem que também é possível recuperar autonomia e retomar seus projetos”, disse.

De volta às pistas

Voltar a correr permaneceu como uma das principais metas de Suzanne durante a recuperação. Depois da reabilitação, do fortalecimento e do treinamento físico, veio a autorização que tanto esperava. “Foi o momento mais feliz. Meus fisioterapeutas e meus médicos falaram: ‘Vai, vai correr’. Correr era um sonho. Era o que eu mais queria voltar a fazer”

A profissional de Educação Física do HUGV, Enoly Frazão, acompanhou a preparação para o retorno. “A Educação Física entrou com o fortalecimento muscular e, posteriormente, com o treinamento específico para a corrida. Nossa meta inicial era que a primeira corrida acontecesse somente em dezembro, mas a evolução foi mais rápida do que esperávamos. Isso aconteceu não apenas pelo treinamento realizado durante as sessões, mas também pela participação ativa da paciente fora do ambulatório”, explica.

No domingo, Enoly estava na linha de chegada esperando por Suzanne. “Estar ao lado dela no momento da chegada foi emocionante. Os olhos dela brilhavam. Ela estava cansada e, naturalmente, apresentou dor após completar os 5 km, algo que já esperávamos pelo esforço realizado. Fizemos o controle desse desconforto com compressa gelada, e o mais importante era que ela havia conseguido completar o percurso, realizar um sonho que seis meses antes parecia distante”, afirma.

Para Suzanne, os 5 km representam mais do que uma distância percorrida. “Houve momentos em que pensei em desistir e me perguntei se valia a pena. Cruzar a linha de chegada e saber que completei os 5km novamente foi uma vitória maravilhosa. A todo momento lembrava dos meus médicos, de todos os profissionais me ajudando e de estar realizando um sonho que pensei que não poderia mais realizar”, conta.

Uma interrupção que abriu um novo caminho

A corrida não foi o único projeto retomado durante esse percurso. As limitações físicas também haviam afetado a vida acadêmica de Suzanne. Ela ingressou em uma universidade pública, mas as dificuldades para caminhar sozinha, pegar ônibus e realizar alguns movimentos a fizeram interromper o curso. “Foi um momento horrível. Eu chorei muito porque sempre sonhei em fazer uma faculdade. Quando consegui entrar e fui obrigada a parar, fiquei muito mal”, lembra.

A experiência, porém, acabou influenciando uma nova escolha profissional. Durante a reabilitação e a convivência com os profissionais que a acompanhavam, Suzanne começou a se interessar justamente pela Fisioterapia. Prestou novo vestibular em outra universidade, foi aprovada e hoje cursa a graduação.

“Eu me encantei pela fisioterapia, pela forma como cuidavam de mim. Foi quando decidi que queria cursar Fisioterapia. Quero me formar e poder um dia ajudar pessoas, assim como tiveram profissionais que me ajudaram. Quero poder retribuir isso um dia para alguém”, diz.

Sobre a HU Brasil

O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

Foto de Leuzimar Rodrigues | jornalista MTB 1705/AM
Redação Remador

Leuzimar Rodrigues | jornalista MTB 1705/AM

Leuzimar Batista Rodrigues é editora de cultura do Portal Remador e especialista em cultura regional amazonense. Com olhar apurado para a gastronomia, turismo e entretenimento, Leuzimar conecta os leitores às raízes do Amazonas. É apaixonada por explorar sabores e destinos locais, sendo referência na cobertura de grandes eventos e na valorização da identidade cultural da região.