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1º TURNO: FALTAM 65 DIAS

Corredores do 28 de Agosto lotados, pacientes jogados no chão e relatos de crueldade estampam o colapso da saúde pública no Amazonas

Enquanto o prefeito vistoria SPAs com raio-X quebrado e falta de copos, pacientes denunciam humilhação extrema, médicos frios e unidades entregues às baratas.
Por Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Publicado: 30/07/2026 16:32 Atualizado: 30/07/2026 16:39
Corredores do 28 de Agosto lotados, pacientes jogados no chão e relatos de crueldade estampam o colapso da saúde pública no Amazonas
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MANAUS (AM) — Há momentos em que o jornalismo precisa rasgar o verniz da formalidade institucional e exposar a crueldade nua e crua da realidade. O que os corredores do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto e das unidades de saúde de Manaus revelam não é apenas uma crise administrativa: é um cenário de guerra humanitária. Nós, do Portal Remador, mergulhamos nas denúncias que inundam a nossa redação, colhemos relatos estarrecedores de quem viveu o inferno na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e acompanhamos de perto o fogo cruzado político que paralisa a cidade.

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“28 de Agosto lotado, entregue às baratas, pessoas dormindo pelo corredor, pessoas dormindo jogadas no chão. Cadê o governante do nosso Estado? Misericórdia, socorro!” — esse é o grito de desespero que ecoa de dentro das unidades e chega diariamente à nossa redação. Falta de insumos básicos, equipamentos com defeito, aparelhos de ar-condicionado quebrados, superlotação crônica e uma frieza institucional que esmaga o doente. O resultado é uma população exausta, doente e desesperada por um pingo de dignidade.

A dor sentida na pele: O desabafo do vereador Dione Carvalho

O caos na saúde pública deixou de ser estatística abstrata para ser sentido até por quem tem mandato. O vereador de Manaus, Dione Carvalho, precisou procurar atendimento médico no Hospital 28 de Agosto e relatou publicamente o choque de realidade ao enfrentar o mesmo sistema que o cidadão comum é obrigado a tolerar.

“Passei mal e precisei procurar atendimento. Fui até lá como qualquer cidadão que precisa do SUS: em busca de atendimento, acolhimento e respeito. Mas o que encontrei foi revoltante”, desabafou o parlamentar. Dione destacou que presenciou superlotação e falta de médicos, enfatizando que não utiliza plano de saúde privado: “Eu uso o SUS. Isso não é novidade para ninguém. Quando eu, como vereador e cidadão, preciso, encontro essa realidade. Agora imaginem o cidadão que não tem outra opção e precisa enfrentar isso todos os dias. Eu não estou falando de algo que me contaram. Eu vivi isso na pele”.

VEJA O VÍDEO DO VEREADOR:

O relato da humilhação: “Me senti um lixo”

As palavras do vereador ganham contornos ainda mais dramáticos quando confrontadas com o depoimento de cidadãos comuns que frequentam o complexo hospitalar. Uma denúncia enviada com exclusividade ao Portal Remador escancara a desumanidade nos consultórios.

Uma paciente relatou que esteve no plantão do 28 de Agosto: “Depois de ficar desde às 14h30, fui atendida às 19h48. Quando sentei na cadeira com os exames nas mãos, o médico olhou pra minha cara e perguntou o que eu estava fazendo lá, pois ele não podia me ajudar. Disse que lá era emergência e que era pra eu ir ao SPA”.

A paciente tentou argumentar e relembrar o trauma da perda da mãe, vítima de um câncer terminal após peregrinação em hospitais públicos, ouvindo do profissional uma resposta cortante: “Ele apenas falou que não era porque minha mãe tinha morrido que eu iria morrer também. Depois disso eu criei vergonha na minha cara, me levantei chorando e vim embora. Prefiro morrer do que passar por essa humilhação novamente. E essa é a humanização e a saúde da nossa cidade.

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O fogo cruzado: Prefeito vistoria SPA e rebate governo

Enquanto a população sofre nos corredores, a cúpula política trava uma guerra de narrativas. Após o governador Roberto Cidade atribuir a superlotação das unidades estaduais à regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o prefeito de Manaus, Renato Junior, decidiu ir a campo na noite de quarta-feira (29). Ele liderou uma vistoria surpresa no SPA Enfermeira Eliameme Rodrigues Mady, no bairro Galileia, Zona Norte.

A fiscalização in loco confirmou o caos estrutural: o aparelho de raio-X está quebrado e inoperante há mais de um mês, paralisando diagnósticos de traumas e fraturas na região e despejando doentes em cima do já saturado 28 de Agosto. Além disso, a prefeitura flagrou falta de insumos elementares como copos descartáveis nos bebedouros, obrigando pacientes a comprarem recipientes no comércio vizinho para beber água, meses de salários atrasados para médicos, enfermeiros e maqueiros, e macas do Samu retidas nos corredores por falta de leitos nas enfermarias do Estado.

“O Samu busca as pessoas e faz a regulação. Quando chega a um SPA e o raio-X está quebrado, esse paciente precisa ser levado para outra unidade que tenha condições de atendê-lo. Eu não vou permitir que o governador jogue a sua irresponsabilidade nas costas do Samu, de homens e mulheres que estão na rua salvando vidas”, disparou o prefeito Renato Junior.

O Portal Remador entro em contato com a Secretaria de Saúde do Amazoans, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve respostas sobre a lotação do Hospital 28 de Agosto (COMPLETO ZONA SUL), o canal segue aberto e o Remador seguirá com sua cobertura implacável, fiscalizando cada centavo do dinheiro público e dando voz ao cidadão esmagado por esse sistema falido. A saúde do Amazonass pede socorro, e o silêncio das autoridades já não é tolerável.

Foto de Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Redação Remador

Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM

Weliton Nunez é jornalista profissional (MTB 1697/AM) com ampla experiência na cobertura política, econômica e cotidiana do Amazonas. Fundador do Portal Remador, dedica-se a levar informação precisa sobre Manaus e os municípios do interior, com foco em transparência e interesse público. Especialista em análise política regional e cobertura das Eleições 2026.