CIDADE DO MÉXICO – A confirmação da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, no último domingo (22), encerra um capítulo de três décadas de ascensão criminosa, inaugura uma fase de incertezas brutais para a segurança das Américas. Considerado o maior golpe contra o narcotráfico desde a queda de “El Chapo” Guzmán, o abate do líder do CJNG coloca o governo de Claudia Sheinbaum e a administração Donald Trump em uma encruzilhada estratégica.
O Vácuo de Poder: Quem herdará o império?
Diferente de outros cartéis, o CJNG operava sob uma estrutura de “ditadura criminosa” centralizada na figura de El Mencho. Mike Vigil, ex-chefe de operações internacionais da DEA, define o traficante como um líder que “sabia de tudo e controlava cada movimento”. Sem um sucessor natural designado, o cenário mais provável é a fragmentação.
Especialistas em segurança identificam dois caminhos imediatos:
- Linha Sucessória Familiar: Caso parentes de Oseguera assumam o controle, a tendência é a manutenção da retórica de vingança e ataques de alto impacto contra o Estado.
- Comandantes Locais: Se o cartel se dividir em “franquias” regionais, o foco deve voltar-se para a proteção das rotas de fentanil e metanfetamina, diminuindo o confronto direto, mas aumentando as disputas territoriais internas.
O Espectro do Narcoterrorismo
O maior temor das agências de inteligência é a transição para o narcoterrorismo indiscriminado. O CJNG já é pioneiro no uso de drones com explosivos e minas terrestres. David Saucedo, especialista em segurança, alerta para a possibilidade de ataques frontais semelhantes aos da Colômbia nos anos 90: carros-bomba e assassinatos seletivos de alta cúpula para forçar o governo a recuar.
Alívio Diplomático e Pressão de Trump
Politicamente, a operação concede um fôlego vital para a presidente Sheinbaum. Sofrendo pressão direta de Washington para conter o fluxo de fentanil — classificado por Trump como uma “arma de destruição em massa” — o México prova eficácia militar.
Entretanto, o crédito da vitória é disputado. Enquanto os EUA celebram a cooperação de inteligência, fontes internas mexicanas reforçam que o “trabalho de campo” e o risco foram assumidos integralmente pelas Forças Armadas do México.
Impactos Globais: Da fronteira dos EUA à Europa
Com presença em 21 estados mexicanos e em quase todos os continentes, a desestabilização do CJNG afeta o preço e a logística das drogas sintéticas mundialmente. O enfraquecimento do Jalisco Nova Geração pode beneficiar o Cartel de Sinaloa, que apesar de enfraquecido pela prisão de “El Mayo” Zambada, ainda mantém uma rede de distribuição robusta.
OS NÚMEROS DO IMPÉRIO DE EL MENCHO
- Território: 21 dos 32 estados mexicanos.
- Arsenal: Capacidade comprovada para abater aeronaves militares (fuzis Barret .50 e RPGs).
- Inovação: Divisões químicas especializadas em fentanil e lavagem de dinheiro através de agronegócio e construção civil.
- Recompensa: US$ 15 milhões oferecidos pelo Departamento de Estado dos EUA.
O Império de El Mencho em Números
A estrutura do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) que desafiou as potências globais.
O CJNG controla mais de 65% do território mexicano, com forte presença em portos estratégicos.
O valor oferecido pelos EUA era um dos maiores da história, no mesmo nível de líderes terroristas.
Arsenal incluía fuzis Barret .50 e RPGs capazes de abater helicópteros das Forças Armadas.
Principal exportador de opioides sintéticos para os EUA e Europa na última década.
CONTEÚDO ESTRATÉGICO REMADOR
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