A Zona Franca de Manaus (ZFM) costuma ser debatida sob a frieza das planilhas tributárias, mas no interior profundo, onde o relógio é ditado pela subida e descida dos rios, o modelo é medido por diplomas. Em 2025, o financiamento destinado à UEA ultrapassou os R$ 929 milhões, um recorde histórico que consolida a instituição como o maior patrimônio educacional mantido diretamente pelo Polo Industrial.
Desde sua criação na ditadura militar para “integrar para não entregar”, a ZFM evoluiu de um porto livre para um ecossistema de sobrevivência intelectual. Pela Lei de Informática, 5% do faturamento líquido das empresas deve ir para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). No Amazonas, isso se traduz em R$ 1,6 bilhão investidos este ano através de 183 institutos.
ANÁLISE DO ESPECIALISTA: O Poder por trás do Jaleco
Os bastidores da política amazonense mostram que a UEA e a ZFM são reféns uma da outra. Ao garantir a vigência do modelo até 2073 na Constituição, o estado garantiu, por tabela, a sobrevivência da classe média intelectual e a fixação de profissionais no interior. Para o governo estadual, a UEA é a maior ferramenta de capilaridade política: chegar onde a estrada não chega é o que mantém o capital político vivo. O reitor André Zogahib e o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, formam hoje uma frente de defesa que sabe que qualquer corte em Brasília não atinge apenas “empresários”, mas sim a chance de um jovem de Maués ser médico em sua própria terra.
A CONEXÃO CURITIBA
Enquanto Curitiba consolidou sua inovação através do “Vale do Pinhão” e de um ecossistema de startups integrado à infraestrutura urbana, Manaus faz o caminho inverso: a inovação aqui é a ferramenta de “soberania territorial”. Enquanto no Sul a tecnologia serve à cidade, no Norte a tecnologia — financiada pela indústria — serve para manter o estado de pé e a floresta preservada, reduzindo a pressão por atividades predatórias.
AS VOZES DO POLO:
- “O incentivo aqui não termina na fábrica. Ele percorre laboratórios e salas de aula.” — Bosco Saraiva, Superintendente da ZFM.
- “Educação não é gasto, é investimento. E, no Amazonas, isso é literal.” — André Zogahib, Reitor da UEA.
- “A indústria traz o desafio, e o instituto transforma isso em solução.” — Armando Ennes do Valle, Diretor da FPFtech.
POR QUE ISSO IMPORTA?
Enquanto o debate nacional foca na renúncia fiscal, o Amazonas vive a realidade da dependência: sem a indústria, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e 183 institutos de tecnologia perderiam seu motor financeiro. Manter a Zona Franca não é apenas manter fábricas, é garantir que o estado não sofra um “apagão” educacional e científico sem precedentes.
Com informações do Metrópole




