A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (25/02), uma série de requerimentos que provocam um abalo sísmico nas instituições em Brasília. O colegiado determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações S.A., vinculada ao ministro do STF, Dias Toffoli, além do Banco Master e da Reag Investimentos.
A ofensiva foca em indícios de conexões entre os sócios da Maridt os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Toffoli, ambos convocados e operações de lavagem de dinheiro que teriam beneficiado a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O “Fator Master” e o Resort no Paraná
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, fundamentou os pedidos com base em transações envolvendo o resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A investigação aponta que a Reag Trust (ex-alvo da Operação Carbono Oculto) intermediou negócios com o fundo Arleen, cujo único cotista seria o cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Vieira citou ainda a existência de um cassino clandestino no resort, operando mesas de blackjack e apostas em dinheiro, o que configura contravenção penal e reforça a tese de ocultação de recursos ilícitos. Toffoli, que era relator do caso Master no STF, deixou a relatoria recentemente, em 12 de fevereiro.
Convocação de Pesos Pesados
A lista de chamadas da CPI não poupou nomes do alto escalão:
- Convocados (Obrigatórios): Daniel Vorcaro (Dono do Master), Paulo Guedes (ex-Ministro da Economia), Roberto Campos Neto (ex-Presidente do BC) e diretores do Banco Master.
- Convidados (Não obrigatórios): Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, cujo escritório firmou contrato de R$ 129 milhões com o Master.
A base governista articulou as convocações de Guedes e Campos Neto sob a justificativa de que políticas de desregulamentação da gestão anterior teriam facilitado os supostos ilícitos cometidos pela instituição financeira.
Segurança Pública e TH Joias
A sessão também aprovou convites para autoridades da segurança, incluindo o comandante do Exército, Tomás Miguel Ribeiro Paiva, e o diretor-geral da Polícia Civil do Rio, Uirá Ferreira.
O depoimento de Thiego Raimundo (TH Joias), acusado de ligação com o Comando Vermelho, foi adiado. Preso desde setembro, sua oitiva dependia de um aval do STF para deslocamento que não chegou em tempo hábil, segundo o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).




