BRASÍLIA (DF) — O quadro de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou os primeiros sinais de resposta positiva ao tratamento intensivo. Internado na UTI do hospital DF Star desde a última sexta-feira (13), Bolsonaro registrou melhora na função renal e estabilização clínica, segundo boletim médico divulgado na manhã desta segunda-feira (16). O ex-mandatário, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral após passar mal na cela da Papudinha.

O que ninguém esperava era a rapidez com que a batalha médica se transformaria em uma ofensiva jurídica. Enquanto Bolsonaro recebe suporte de fisioterapia respiratória e antibióticos intravenosos, sua defesa corre contra o tempo para concluir um laudo que sustente o pedido de prisão domiciliar humanitária. A estratégia é usar a gravidade do episódio de broncoaspiração ocorrido no complexo penitenciário para convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) de que a unidade prisional não oferece as condições necessárias para o tratamento de sua saúde debilitada.
Bolsonaro foi levado às pressas ao hospital após apresentar febre alta e queda de saturação dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. O diagnóstico de pneumonia “aspirativa” ocorre quando secreções ou alimentos entram nos pulmões, algo comum em pacientes com histórico de cirurgias abdominais complexas, como é o caso do ex-presidente desde 2018. A equipe médica ampliou a dosagem de antibióticos devido a picos inflamatórios, e embora a função renal tenha se recuperado, o estado ainda é considerado grave e exige vigilância 24 horas.
“Apresentou melhora clínica e laboratorial nas últimas 24h, denotando resposta favorável à antibioticoterapia instituída. Não há previsão de alta da UTI”, informou o boletim assinado pela equipe do DF Star.
Xadrez Político e Familiar
Apesar do susto, a agenda política da família Bolsonaro não parou totalmente. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, chegou a viajar para Rondônia no fim de semana para lançar a pré-candidatura de Marcos Rogério (PL-RO) ao governo, retornando a Brasília apenas na noite de sábado para visitar o pai.
Agora, a palavra final sobre o destino de Bolsonaro está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes. O magistrado já autorizou que Michelle e os filhos acompanhem a internação, mas a ala jurídica do bolsonarismo espera que o “fator saúde” seja a chave para tirar o ex-presidente definitivamente da ala dos presos da Papuda e levá-lo para a residência da família sob monitoramento eletrônico.




