Em uma manobra célere para dar contornos definitivos à sucessão no Palácio da Compensa, o governador interino do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), sancionou nesta quinta-feira (09/04) a lei que regulamenta a eleição indireta para o governo do estado. O texto, aprovado em tempo recorde pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), define o dia 4 de maio como a data em que os 24 deputados estaduais escolherão, no voto aberto, quem comandará o Amazonas no mandato-tampão até dezembro de 2026.
A necessidade da eleição indireta surge após um fato inédito na história política amazonense: a renúncia dupla e simultânea do titular Wilson Lima (UB) e de seu vice, Tadeu de Souza (PP). O movimento, focado nas eleições gerais de outubro, deixou o Executivo sob o comando interino de Cidade, que agora sanciona as próprias regras do processo onde figura como o principal favorito.
Entenda o Caso: O Rito na “Casa do Povo”
A sessão que aprovou o Projeto de Lei foi conduzida pelo presidente interino da Aleam, Adjuto Afonso (UB). Com 22 votos favoráveis e apenas duas ausências — da deputada Dra. Mayara Pinheiro e do próprio Roberto Cidade, que já despacha como governador —, a proposta passou pelas comissões de Justiça (CCJR) e Finanças em regime de urgência.
Segundo informações apuradas pelo Portal Remador, a escolha por uma votação nominal e aberta não é apenas uma questão de transparência, mas uma blindagem jurídica baseada em entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF), evitando que o processo seja judicializado pela oposição ou por candidatos isolados.
“Nosso compromisso é garantir segurança jurídica e celeridade. O Amazonas não pode ficar sob incerteza. A eleição no dia 4 de maio será técnica, transparente e dentro de todos os preceitos constitucionais”, afirmou o deputado Adjuto Afonso.
Xadrez Político e Critérios de Desempate
Para ser eleito logo de cara, o candidato precisa de 13 votos (maioria absoluta). Se ninguém atingir a marca, os dois mais votados disputam o segundo turno. A lei sancionada foi meticulosa: se houver empate no segundo turno, uma nova sessão ocorre no dia seguinte; se o empate persistir, o critério de idade decide o novo governador.
Com a confirmação de que o senador Omar Aziz (PSD) não entrará na disputa indireta, o caminho parece pavimentado para uma coalizão em torno de Roberto Cidade, embora nomes de blocos independentes ainda ensaiem candidaturas para marcar território. O mandato-tampão é estratégico, pois dá ao eleito a “caneta na mão” para gerir o orçamento estadual em pleno ano eleitoral, influenciando diretamente as bases no interior.
CONTEÚDO ESTRATÉGICO REMADOR
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