MANAUS (AM) — O domingo (22) começou com um “balde de água fria” ou melhor, de combustível caro para o manauara. Pela segunda vez em apenas 15 dias, os postos de Manaus amanheceram com novas placas: o litro da gasolina comum saltou para R$ 7,59. O reajuste, que pegou os condutores de surpresa, consolida uma escalada de preços que parece não ter teto, transformando o ato de encher o tanque em um desafio financeiro para trabalhadores e motoristas de aplicativo.
O que ninguém esperava era a velocidade da subida. Até o dia 6 de março, o consumidor final pagava R$ 6,99. De lá para cá, foram dois “golpes” de R$ 0,30 cada, totalizando uma alta de R$ 0,60 em um intervalo curtíssimo. Segundo informações apuradas pelo Portal Remador, a versão aditivada acompanhou a tendência e já é vendida a R$ 7,79, deixando os motoristas sem opções de economia nas bombas.
A disparada nos preços em Manaus não é um fato isolado, mas a capital amazonense tem se destacado negativamente no cenário nacional. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, desde o início de 2026, a cidade figura no “Top 3” das gasolinas mais caras do país, perdendo apenas para Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). O cenário se agrava com o preço do etanol, que em Manaus também registra médias elevadas de R$ 5,49, dificultando a migração para o combustível vegetal.
specialistas do setor de energia apontam que o “Custo Amazônia” é o principal vilão. A logística complexa para a distribuição, somada aos preços praticados pelas refinarias privatizadas e a carga tributária estadual (ICMS), cria uma tempestade perfeita para o bolso do consumidor. Enquanto em outras regiões do Brasil o preço médio oscila para baixo, no Norte a tendência de alta se mantém rígida, impulsionada pela dependência do transporte fluvial e rodoviário de longo percurso.
Para o motorista de aplicativo Jorge Silva, a situação é insustentável. “Trabalhamos para pagar o combustível. No dia 7 subiu, hoje subiu de novo. Não temos margem de lucro e o passageiro também não aguenta mais o repasse no valor das corridas”, desabafou à nossa equipe. O Procon-AM deve ser acionado por entidades de classe para verificar se há indícios de cartel ou se os reajustes seguem a legalidade do mercado.




