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Manaus recebe seminário internacional de combate à desinformação sobre preservação da biodiversidade nos dias 11 e 12 de agosto

O evento reúne pesquisadores, educadores e especialistas de povos indígenas da Alemanha, França e Brasil para combater a desinformação relacionada à preservação da biodiversidade. Está previsto o lançamento de um kit pedagógico como resultado do projeto no final do ano
Por Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Publicado: 10/08/2026 08:46 Atualizado: 10/08/2026 08:46
Manaus recebe seminário internacional de combate à desinformação sobre preservação da biodiversidade nos dias 11 e 12 de agosto
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A programação do projeto “Perspectiva dos Pássaros – Desinformação e Biosfera” segue após o seminário internacional que reuniu pesquisadores, educadores e especialistas de povos indígenas e de instituições da Alemanha, França e Brasil no Goethe-Institut São Paulo e no Museu das Culturas Indígenas. Agora, a cidade de Manaus recebe a programação, entre os dias 11 e 12 de agosto, no MUSA – Museu da Amazônia.
 

O Seminário “Perspectivas dos Pássaros – Desinformação e Biosfera” abre no dia 11 com a Mesa 1, ‘Migrações dos Pássaros: Desinformação entre a Cidade e a Floresta’, mediada por Astrid Kusser Ferreira. O debate reúne Filippo Salvia, do próprio museu, João Paulo Lima Barreto, do centro de medicina indígena Bahserikowi, e Carlos Augusto da Silva, conhecido como Tijolo, que apresenta descobertas do projeto Amazônia Revelada sobre arqueologia e cosmologias indígenas.
 

A partir das 14h, a Mesa 2 muda o foco para o mapeamento ambiental: sob mediação de Anita Ekman, pesquisadores como Miguel Mahecha, da Universidade de Leipzig, e Freg J. Stokes, do Max-Planck-Institut für Geoanthropologie, discutem como imagens aéreas ajudam a rastrear desmatamento e a fortalecer estratégias indígenas de resistência na Amazônia. Ainda no dia 11, a programação da tarde se encerra com a Mesa 3, dedicada aos “Pássaros Digitais” e à digitalização de coleções científicas sobre a região. Com mediação do INPA, o encontro discute como comunidades indígenas podem revisar e reinterpretar acervos históricos formados por europeus, casos dos naturalistas Von Martius e Spix e dos etnógrafos Stradelli e Theodor Koch-Grünberg. Participam nomes como Anita Ekman, João Paulo Lima Barreto e Dra. Maria Fernanda Boza Cuadros do Museum Fünf Kontinente, em Munique, Alemanha, além de representantes do Itaú Cultural, que apresentam o projeto Brasilianas, voltado ao acesso e à reinterpretação desses arquivos.
 

Já no dia 12 de agosto, o seminário segue com três novas mesas. A Mesa 4 trata de arquivos audiovisuais e desinformação, com participação de Juliette Cahin do INA, Instituto Francês de Audiovisual, e discussão sobre a construção histórica das imagens da Amazônia no cinema. Na sequência, a Mesa 5 dá espaço às perspectivas femininas e indígenas sobre território e conhecimento, com Carla Bahserikowi e Tania Grillo e Veronica Pinheiro de Souza da Associação Selvagem. O encerramento fica por conta da Mesa 6, que reúne comunicadores e pesquisadores como Gave Veras, da Amazônia Livre de Fake, e o fotojornalista Nicolò Lanfranchi para debater o combate à desinformação digital na Amazônia e o papel da ciência e das vozes indígenas nesse enfrentamento.
 

Laboratório de criação para produção de kit pedagógico

Entre os dias 06 e 10 de agosto, está sendo realizado um laboratório de criação artística para a produção de roteiro de animação com Freg J. Stokes (Forest History Lab / Max Planck Institut), João Paulo Lima Barreto (Bahserikowi – Centro de Medicina Indígena) e Anita Ekman (Goethe-Institut). Eles irão trabalhar na produção de um filme de animação inspirado nas primeiras imagens aéreas da Amazônia, realizadas na década de 1920.
 

O filme irá combinar arquivos históricos, dados de satélite e novas tecnologias de imageamento aéreo como o LiDAR (do Projeto Amazônia Revelada), imaginando um pássaro que percorre as florestas em voo através do tempo. Este trabalho resultará na produção de material para um kit pedagógico a ser distribuído no fim do ano. O objetivo é fortalecer o acesso a informações confiáveis, promover o pensamento crítico e a alfabetização midiática, além de apoiar a defesa dos territórios que sustentam a diversidade da vida em nosso planeta. O kit é uma correalização dos Goethe-Institut Rio de Janeiro e São Paulo, dos Consulados-Gerais da França no Rio de Janeiro e em São Paulo e da Associação Selvagem, com apoio do Fundo Franco-Alemão.

Sobre o projeto “Perspectiva dos Pássaros”

As instituições Goethe-Institut Rio de Janeiro e São Paulo, junto ao Consulado da França no Rio de Janeiro e em São Paulo, no âmbito da cooperação franco-alemã Juntes na Cultura e através do fundo franco-alemão lançaram o evento com a co- realização de Forest History Lab/Max-Planck-Institut für Geoanthropologie e Heinrich-Böll-Stiftung Brasilien. A desinformação tornou-se uma importante ameaça às democracias contemporâneas. Na América do Sul, seus efeitos são particularmente evidentes: colocam em risco territórios e culturas localizados em algumas das maiores áreas de maior concentração de biodiversidade do planeta, o Escudo das Guianas e a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, agravando a crise climática global. Novas tecnologias audiovisuais podem gerar conteúdos enganosos e ampliar a desconfiança em relação aos fatos. Ao mesmo tempo saberes e metodologias milenares ainda lutam por reconhecimento científico e são desconsiderados em decisões de que impactam seus territórios.

“Perspectiva dos Pássaros” propeom infrentar essa desinformação persistente em três etapas que se sucedem ao longo de 2026. O projeto começa em São Paulo, com um seminário internacional e público que reúne artistas e especialistas indígenas, pesquisadoras e educadoras da Alemanha, França, Brasil e Guiana Francesa. Em formato híbrido, o encontro no Goethe-Institut São Paulo e no Museu das Culturas Indígenas apresenta pesquisas, mapeamentos e metodologias de combate aos efeitos da desinformação nos dois biomas, abrindo espaço para a troca de tecnologias sociais, estratégias de enfrentamento e formatos pedagógicos de mediação voltados a um público amplo.

“É parte da nossa atuação o entendimento de que cultura e clima são indissociáveis. Só podemos construir narrativas capazes de enfrentar a desinformação e ao mesmo tempo a proteção da nossa biosfera a partir da perspectiva dos territórios afetados e por quem vive essas realidades. Neste projeto, o pássaro simboliza essa travessia ao conectar territórios, saberes de diversas disciplinas e pessoas, ao mesmo tempo em que se propõem a divulgar e assim fortalece as relações entre cultura, clima e os direitos dos povos originários”, afirma Isabel Hölzl, Diretora do Goethe-Institut Rio de Janeiro.

O projeto reúne ainda uma série de parceiros institucionais, entre eles o Museu das Culturas Indígenas, a Escolas Vivas/Associação Selvagem, o Intervozes, o MUSA – Museu da Amazônia, o Instituto Juruá, o Bahserikowi – Centro para Medicina Indígena, a Cinemateca Brasileira, o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Instituto Italiano di Cultura de São Paulo, além dos projetos Amazônia Revelada e Amazônia de Pé.
 

Programação completa Manaus

Dias 11 e 12 de agosto

MUSA – Museu da Amazônia

11 de Agosto

10h – Abertura Institucional

10h20 – Exibição do filme Histórias da Floresta (animação, 8 min)


10h30 – Mesa 1

Migrações dos Pássaros: Desinformação entre a Cidade e a Floresta

Mediação: Astrid Kusser Ferreira (Goethe-Institut Rio de Janeiro)

10h30 – 10h50 Filippo Salvia (MUSA) Museu vivo entre a cidade e a floresta

10h50 – 11h10 João Paulo Lima Barreto Bahserikowi – Um centro de medicina indígena na cidade de Manaus

11h10 – 11h30 Carlos Augusto da Silva (Tijolo) Amazônia Revelada – Revelações da arqueologia e das cosmologias indígenas da Amazônia

11h50 – 12h15 Debate
 

14h – Mesa 2 – Mapeando migrações : desmatamento e estratégias de combate a mudança climática

Mediação : Anita Ekman (Goethe-Institut São Paulo)

14h – 14h20 Miguel Mahecha (Universidade de Leipzig) Mapeando árvores mortas e transformações ambientais na Terra

14h20 – 14h40 Freg J. Stokes (Max-Planck-Institut für Geoanthropologie) Mapeando o desmatamento e as resistências indígenas na Amazônia através de imagens aéreas.

14h40 – 15h Henrique Santiago (MMA) Estratégias em rede (fórum territorial e outros modelos de governança) na fronteira do desmatamento. (A confirmar)

15h – 15h20 Debate

15h20 – 16h Intervalo

16h00 – Mesa 3 Pássaros Digitais: Digitalização e Revisão das Coleções Científicas da Amazônia pelas Comunidades Indígenas

Mediação: INPA

16h – 16h30 Anita Ekman (Goethe-Institut São Paulo), João Paulo Lima Barreto e Maria Fernanda (Museum Fünf Kontinente) Von Martius e Spix: biodiversidade, acervos e novas leituras indígenas

16h30 – 17h Mayra Oi e Tayná (Itaú Cultural) Brasilianas: acesso, mediação e reinterpretação de coleções históricas do Von Martius e Spix.

17h – 17h20 Filippo Salvia (MUSA) e Maria Fernanda (Museum Fünf Kontinente) Stradelli e Theodor Koch-Grünberg: por uma revisão de imagens e narrativas do Rio Negro criadas por europeus no início do século XIX.

17h20 – 18h Debate Geral

12 de Agosto

09h – Arquivos Audiovisuais, Mulheres, Comunicação e Ciência da Floresta

Exibição do filme Cosmopolítica da Floresta (15 min)

Realização e comentário após o filme: João Paulo Lima Barreto e Anita Ekman


09h30 – Mesa 4 Arquivos Audiovisuais e Desinformação sobre a Amazônia

Mediação : Nicolá (Consulado da França)

09h30 – 09h50 Juliette (INA – Institut National de l’Audiovisuel, França) Arquivos audiovisuais e memória cultural no século XXI

09h50 – 10h10 – Silvino Santos e nome a confirmar A construção das imagens da Amazônia: No Rastro do Eldorado e Amazônia, o Maior Rio do Mundo

10h10 – 10h30 Museu das Culturas Indígenas – narrativas digitaís.


10h40 – Mesa 5 Perspectivas sobre Pássaros e Mulheres

Mediação: Anita Ekman (Goethe-Institut Rio)

10h40 – 11h Carla Bahserikowi Corpo, território e conhecimentos indígenas

11h00 – 11h20 Verônica (Associação Selvagem) – Educação ambiental através das Escolas Vivas

11h20 – 11h40 Debate

14h00 – Mesa 6 Mídia, Ciência e comunidades no Combate às Fake News na Amazônia

O Papel da Ciência e das Vozes Indígenas

Mediação: Astrid Ferreira (Goethe-Institut Rio)

14h – 14h20 Gave Veras (Intervozes / Coletivo Brasil de Comunicação Social / Amazônia Livre de Fake)
Desinformação digital, democracia e justiça climática

14h20 – 14h40 Nicolò Lanfranchi (Forest Knows) Imagens em disputa: jornalismo, desinformação e responsabilidade na Amazônia

14h40 – 15h10 Hugo e Indiara – Instituto Juruá Comunicação comunitária científca e justiça climática

15h10 – 15h30 Debate

Sobre o Goethe-Institut

Diversidade, entendimento, confiança. Conectamos pessoas em todo o mundo. Enquanto instituto cultural da República Federal da Alemanha, promovemos o intercâmbio cultural, a formação e os debates sobre a sociedade no contexto internacional, e apoiamos o ensino e a aprendizagem da língua alemã. Em colaboração com parceiras e parceiros, refletimos sobre as oportunidades e os desafios globais, reunindo diferentes perspectivas num diálogo que se baseia na confiança.

Encaramos o ato de escutar e refletir como uma chave para o entendimento. Comprometemo-nos com os princípios da transparência, da diversidade e da sustentabilidade. Esses princípios caraterizam os nossos serviços e a nossa forma de trabalhar. No Brasil, estamos em quatro cidades: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Consulados do Rio e São Paulo

O Consulado Geral da França no Rio de Janeiro abrange os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Já o Consulado Geral da França em São Paulo abrange os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Os Consulados compreendem a chancelaria consular, incluindo os serviços de administração francesa e de registro civil, assuntos sociais e serviços de vistos, a assessoria de imprensa, o serviço de ação e cooperação cultural e Campus France.
 

Instituto Max Planck de Geoantropologia

O Instituto reúne diferentes áreas do conhecimento para investigar como as atividades humanas transformam o planeta e influenciam desafios globais como as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais. Por meio de pesquisas interdisciplinares, o instituto busca compreender as relações entre sociedade e meio ambiente e contribuir com conhecimento científico para a construção de um futuro mais sustentável e resiliente.

Fundação Heinrich Böll

É uma organização política alemã sem fins lucrativos. Seus princípios fundamentais são os da ecologia e da sustentabilidade, da democracia e dos direitos humanos, da autodeterminação e da justiça social. A ênfase é dada à democracia de gênero, o que significa a emancipação social e direitos iguais para mulheres e homens. Um dos objetivos centrais da Fundação é o apoio e a promoção de processos de democratização. Para isso, um pressuposto fundamental é a existência de uma sociedade civil atuante.

Serviço
Perspectiva dos Pássaros

Dias 11 e 12 de agosto em Manaus

Laboratório e residência artística no Museu da Amazônia (MUSA), em Manaus.


Laboratório para animação: 6 a 10 de agosto no Instituto Juruá e Bahserikowi – Centro de Medicina Indígena, em Manaus

Lançamento do kit pedagógico: previsão para o segundo semestre de 2026.

Goethe-Institut São Paulo

R. Lisboa, 974, Pinheiros, São Paulo

Evento gratuito|Aberto ao público

www.goethe.de/saopaulo

Foto de Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Redação Remador

Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM

Weliton Nunez é jornalista profissional (MTB 1697/AM) com ampla experiência na cobertura política, econômica e cotidiana do Amazonas. Fundador do Portal Remador, dedica-se a levar informação precisa sobre Manaus e os municípios do interior, com foco em transparência e interesse público. Especialista em análise política regional e cobertura das Eleições 2026.