MANAUS (AM) — A defesa da médica Juliana Brasil Santos elevou o tom contra a condução das investigações do Inquérito Policial nº 3472/2026. Em petição protocolada nesta terça-feira (24/03) junto à 1ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, o advogado Sérgio Ricardo de Figueiredo Menezes solicitou o afastamento imediato do delegado Marcelo Martins. A peça jurídica alega que a autoridade policial estaria utilizando a imprensa para criar uma narrativa distorcida e influenciar a opinião pública, após o Judiciário e o Ministério Público negarem pedidos de prisão contra a investigada.
O que ninguém esperava era a revelação detalhada sobre a origem de um vídeo central no processo. Enquanto a polícia afirma que Juliana teria “pagado” por uma gravação adulterada do sistema hospitalar TASY para justificar um suposto erro médico, a defesa apresentou nomes e locais: as médicas Vanessa Mendes e Érika Cartanhede seriam as autoras da gravação original, realizada no Hospital Samel, que utiliza o mesmo software do Hospital Santa Júlia.
Entenda o Caso: Conflito de Narrativas
O embate jurídico ganhou novos contornos após uma entrevista concedida pelo delegado no último dia 23. Segundo informações apuradas pelo Portal Remador, a defesa sustenta que houve quebra de sigilo funcional, uma vez que detalhes de extração de dados do celular de Juliana foram divulgados no mesmo dia em que familiares prestavam depoimento.
“O delegado tem apresentado informações inverídicas para desacreditar o sistema de justiça e criar um pré-julgamento público”, afirma a petição assinada por Menezes.
Os advogados destacam ainda o depoimento da enfermeira Manuela da Silva Queiroz, que negou categoricamente ter recebido valores ou realizado qualquer gravação ilícita, contradizendo as suspeitas levantadas por mensagens de WhatsApp interceptadas pela polícia.
Ausência de Perícia Técnica
Um dos pontos mais sensíveis da denúncia é a suposta falta de rigor científico na análise das provas digitais. A defesa alega que a polícia classificou o vídeo do sistema hospitalar como “falso” sem realizar uma perícia técnica oficial, ignorando protocolos básicos como a entrega do código hash (assinatura digital que garante que o arquivo não foi mexido) e a preservação da cadeia de custódia.
Diante do cenário, os advogados requereram que a Corregedoria da Polícia Civil do Amazonas seja oficiada para apurar o vazamento de dados sigilosos e que uma perícia rigorosa seja realizada nos arquivos pela autoridade judiciária, fora do âmbito da delegacia responsável. O caso segue sob análise da 1ª Vara do Tribunal do Júri.




