A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) viveu, nesta terça-feira (24), um dos episódios mais baixos de sua história recente. O que deveria ser um debate sobre instituições e segurança pública descambou para um festival de ofensas pessoais, acusações de violência doméstica e ataques à saúde mental e física entre o presidente da Casa, Roberto Cidade (União), e o deputado Daniel Almeida (Avante).
O pano de fundo não é apenas ideológico; é jurídico e familiar. A recente operação que atingiu o seio da gestão municipal e as críticas pesadas do prefeito David Almeida à Polícia Civil colocaram Daniel Almeida, seu irmão, em uma posição de defesa agressiva. Roberto Cidade, consolidado como fiel escudeiro do sistema de segurança do Estado e desafeto político da família Almeida desde as eleições de 2024, usou a tribuna para cobrar respeito às instituições.
O confronto: Da política para a quina do muro
A discussão atingiu o ponto de não retorno quando o debate administrativo deu lugar à vida privada.
- Daniel Almeida tocou na ferida familiar, trazendo à tona acusações de agressão que Cidade nega veementemente e pelas quais afirma ter sido absolvido.
- Roberto Cidade, por sua vez, abandonou a liturgia do cargo de presidente para desferir ataques diretos à condição pessoal de Almeida, utilizando termos como “alcoólatra”, “doente” e “moleque”.
A leitura dos bastidores Para quem conhece os corredores do poder, o embate é o reflexo de três fatores críticos:
- Sucessão 2026: A pré-candidatura de David ao Governo, lançada na véspera, acelerou o processo de confronto direto com o grupo liderado por Wilson Lima, do qual Cidade é o expoente no Legislativo.
- O fator Parintins: A citação de Daniel à suposta reunião na casa de parentes de Cidade em Parintins mostra que as rusgas da eleição suplementar e municipal ainda não cicatrizaram e serão munição pesada no próximo pleito.
- Fragilidade do Decoro: O silêncio da maioria dos pares durante o ápice do bate-boca revela um parlamento dividido e, ao mesmo tempo, acuado pela agressividade dos discursos.
TREND DO PODER | ANÁLISE
O embate na ALE-AM mostra que a eleição de 2026 já começou e o tom será de baixaria. Quando parlamentares trocam propostas por diagnósticos médicos e acusações criminais no plenário, a instituição sangra. A Operação Erga Omnes não prendeu apenas suspeitos; ela soltou os cães de guarda de ambos os lados da rodovia política.




