MANAUS (AM) — O exercício do jornalismo em Manaus sofreu um ataque direto de quem deveria zelar pela lei. O perito criminal de 1ª Classe, Gláucio Gradela Gomes, veterano com 24 anos de Polícia Civil, é o centro de uma investigação da Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) após agredir fisicamente um repórter durante uma cobertura externa. O servidor, que recebe vencimentos mensais de R$ 40.301,27 segundo o Portal da Transparência, utilizou a força bruta para afastar profissionais que, segundo testemunhas, respeitavam rigorosamente o isolamento da cena do crime.
Segundo informações apuradas pelo Portal Remador, a confusão escalou quando Gradela alegou desrespeito à vítima. No entanto, as equipes de reportagem mantinham distância segura e sequer registravam imagens do corpo, que já estava ocultado. Mesmo após o recuo do jornalista, o perito desferiu um empurrão brusco, gerando revolta entre os profissionais presentes.
Abuso vs. Protocolo
Em nota oficial, a SSP-AM tentou equilibrar o peso da balança. Ao mesmo tempo em que classificou o episódio como um “ato isolado” e afirmou não compactuar com agressões, a pasta ressaltou o rigor do Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019) sobre a preservação da Cadeia de Custódia. A perícia alega que as orientações de isolamento foram desconsideradas pela imprensa — versão contestada pelos jornalistas que presenciaram a agressão.
“Agir com violência contra a imprensa é agir contra o direito da população à informação. Não existe pauta, cargo ou circunstância que justifique agredir um jornalista. Jornalismo não se intimida”, disparou em nota a Rede Onda Digital, emissora do profissional agredido.
O Peso da Caneta e do Distintivo
Para o Portal Remador, a justificativa de “protocolo de isolamento” não serve de salvo-conduto para violência física. O fotógrafo Jander Robson, do Portal do Holanda, precisou intervir para evitar que o confronto se agravasse, evidenciando o clima de hostilidade criado pelo servidor.
“O jornalismo é um dos pilares da democracia. Aceitar que um agente público, pago com o dinheiro do povo para produzir provas técnicas, parta para a agressão física contra a imprensa é permitir que o autoritarismo vença a transparência. Exigimos o afastamento imediato de Gláucio Gradela Gomes para que a investigação seja isenta”, reafirma o corpo editorial do Portal Remador.
Próximos Passos e Cobrança
O Portal Remador já acionou associações de classe e monitora os passos da Corregedoria. A liberdade de imprensa é inegociável e o cumprimento de protocolos policiais deve ser feito com autoridade, não com autoritarismo. O Remador segue firme dando voz aos profissionais de rua e exigindo que o rigor da lei alcance também aqueles que portam distintivos e altos salários.
O Posicionamento da SSP-AM
Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública informou que a Corregedoria Geral do Sistema de Segurança já foi acionada para analisar os fatos. A pasta classificou o episódio como um “ato isolado” e reforçou que não compactua com agressões, destacando que a atitude do servidor não reflete o padrão de conduta esperado dos membros do sistema de segurança.
Por outro lado, a SSP-AM também ressaltou a importância do cumprimento dos protocolos da Cadeia de Custódia, estabelecidos pelo Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019). Segundo a nota:
Houve orientações reiteradas para que o isolamento da área fosse respeitado.
A perícia alega que profissionais de imprensa e outros presentes teriam desconsiderado os protocolos operacionais de preservação do local do crime.
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