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Bolsa bate recorde e dólar recua com reação do mercado, por William Castro Alves, estratégista-chefe da Avenue – 6/10

Na ocasião, o Ibovespa chegou a atingir 199.355 pontos durante o pregão e fechou aos 198.157 pontos.
Por Redação do Portal Remador
Publicado: 06/10/2026 09:07 Atualizado: 06/10/2026 09:07
© REUTERS/Paulo Whitaker/Proibida reprodução
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A Bolsa brasileira atingiu, pela primeira vez na história, um patamar acima dos 200 mil pontos. A última vez que chegamos perto desse nível foi em 14 de abril de 2026, quando havia um fluxo positivo para mercados emergentes após o conflito no Irã. Naquele momento, o Brasil se beneficiava de sua posição como grande produtor de alimentos, de uma postura geopoliticamente neutra e de um movimento de busca dos investidores por maior diversificação global.

Na ocasião, o Ibovespa chegou a atingir 199.355 pontos durante o pregão e fechou aos 198.157 pontos. Portanto, respondendo objetivamente: nunca havíamos visto a Bolsa brasileira acima dos 200 mil pontos. Era uma expectativa que existia há bastante tempo e que foi alcançada hoje.

Ao longo do dia, o Ibovespa acumula alta superior a 8%, operando próximo dos 207 mil a 208 mil pontos, depois de atingir a máxima de 209.605 pontos.

Outro movimento bastante relevante ocorre no câmbio. O dólar, que havia fechado próximo de R$ 5,21, recua cerca de 4% hoje e voltou a operar abaixo de R$ 5, na região de R$ 4,98 a R$ 4,99. É um patamar importante: a última vez que a moeda americana permaneceu de forma mais consistente abaixo dos R$ 5 foi em maio deste ano.

Naquele período, o dólar chegou a uma mínima próxima de R$ 4,91, por volta dos dias 11 e 12 de maio. Depois disso, voltou a subir, acompanhando também um movimento de valorização global da moeda americana, que acabou pressionando o real.

O movimento de hoje, portanto, é bastante emblemático: temos simultaneamente uma forte valorização da Bolsa e uma apreciação relevante do real frente ao dólar. A leitura inicial do mercado é de que essa reprecificação dos ativos brasileiros está relacionada principalmente à percepção sobre a nova composição do Congresso e do Senado.

A avaliação predominante entre os investidores é de uma mudança em direção a políticos com uma visão mais à direita e potencialmente mais alinhados a uma agenda econômica considerada favorável pelo mercado, com menor intervenção do Estado na economia, maior protagonismo da iniciativa privada e atenção à questão fiscal.

Nesse cenário, os ativos brasileiros passam a incorporar a expectativa de que o novo Congresso e o novo Senado, além de uma eventual mudança no Executivo, possam favorecer pautas econômicas mais bem recebidas pelo mercado. Essa perspectiva ajuda a explicar tanto a forte alta da Bolsa quanto a valorização do real observadas hoje.

Movimentos semelhantes já foram vistos em outros países da América Latina diante de mudanças políticas. Mais recentemente, por exemplo, alterações no cenário político da Colômbia também tiveram impacto positivo sobre os ativos locais e sobre o peso colombiano.

É importante lembrar, porém, que ainda temos algumas semanas até o desfecho final das eleições brasileiras. Por enquanto, a interpretação do mercado sobre a nova composição do Congresso e do Senado é bastante positiva, e essa percepção é um dos principais fatores por trás da forte reprecificação dos ativos brasileiros neste momento.

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