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EUA proíbem influenciadores com visto de turista de monetizar conteúdo durante o Mundial

Alerta conjunto do governo americano e da imigração classifica produção digital patrocinada como trabalho ilegal; descumprimento pode gerar deportação imediata.
Por Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Publicado: 13/06/2026 13:29 Atualizado: 13/06/2026 13:31
EUA proíbem influenciadores com visto de turista de monetizar conteúdo durante o Mundial
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Em meio ao início dos jogos da Copa do Mundo de 2026, as autoridades migratórias dos Estados Unidos emitiram um alerta oficial de segurança direcionado a influenciadores digitais e criadores de conteúdo estrangeiros. O governo americano comunicou formalmente que viajantes que ingressarem em território norte-americano utilizando o visto de turista (B-2) estão terminantemente proibidos de monetizar qualquer material digital ou realizar campanhas publicitárias durante o torneio.

A determinação, enviada em nota conjunta pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), classifica a produção de conteúdo com fins lucrativos — como vídeos patrocinados no TikTok, Instagram e YouTube — como atividade de trabalho regular, exigindo documentação profissional específica.

O cerco à economia dos criadores de conteúdo

Nos últimos anos, as viagens de influenciadores digitais para grandes eventos internacionais deixaram de ser mero lazer e tornaram-se operações comerciais robustas. Marcas globais financiam passagens e hospedagens em troca de “publiposts” e ativações em tempo real nas redes sociais. No entanto, a legislação migratória dos EUA não acompanhou a velocidade da creator economy. Sob o argumento de proteger o mercado de trabalho local e combater a evasão fiscal, as autoridades americanas passaram a enquadrar essas ações de mídia digital como prestação de serviço em solo americano, tornando o visto de turismo ilegal para esse fim.

O endurecimento das regras coincide com as diretrizes da administração do presidente Donald Trump, que ordenou o fortalecimento das inspeções alfandegárias nas principais portas de entrada do país que sediam as partidas da Copa do Mundo.

“Entrar nos Estados Unidos com o único propósito de criar conteúdo (como influenciador) e, assim, gerar renda a partir dos Estados Unidos enquanto estiver no país é considerado trabalho e exige o visto apropriado. Pessoas que entram por meio de programas de visitação e recebem renda estariam violando as condições de sua admissão”, informou o comunicado oficial enviado ao jornal El País.

Redes sociais como prova de infração e caminhos legais

Uma fonte ligada ao governo americano revelou, sob condição de anonimato, que os agentes de fronteira intensificaram a checagem de perfis digitais de passageiros suspeitos ainda nos aeroportos. “Eles mesmos se denunciam por meio dos vídeos”, apontou a fonte, fazendo menção a criadores de conteúdo que registram bastidores de voos e parcerias comerciais sem portar o visto de trabalho adequado.

Para os profissionais que necessitam realizar coberturas remuneradas de forma regular no mercado americano, especialistas apontam que o visto de turismo deve ser substituído por categorias de negócios ou habilidades especiais.

“O visto adequado para esse perfil é o O-1, voltado a pessoas com habilidades extraordinárias, que hoje já inclui criadores de conteúdo e influenciadores digitais. Ele permite atuação remunerada nos Estados Unidos, incluindo campanhas, parcerias com marcas e produção de conteúdo comercial, desde que comprovado o reconhecimento de mercado na área”, explicou Fabiano Rocha, CEO e fundador da consultoria migratória Jumpstart.

O clima de incerteza migratória na Copa de 2026 também tem gerado atritos diplomáticos em outras frentes esportivas, como o recente impedimento de entrada de torcedores do Irã e a deportação de um árbitro somali por supostas inconformidades cadastrais com as agências de segurança de Washington.

Foto de Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Redação Remador

Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM

Weliton Nunez é jornalista profissional (MTB 1697/AM) com ampla experiência na cobertura política, econômica e cotidiana do Amazonas. Fundador do Portal Remador, dedica-se a levar informação precisa sobre Manaus e os municípios do interior, com foco em transparência e interesse público. Especialista em análise política regional e cobertura das Eleições 2026.