O Boi Caprichoso provou que o seu compromisso com a história do Amazonas vai muito além dos três dias de espetáculo no Bumbódromo. Na noite desta quarta-feira (11), o curral deu lugar à conscientização com a palestra “Respeito, Proteção e Voz Contra a Violência”. O encontro, realizado na Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale, em Parintins, reuniu mulheres de todos os setores do bumbá para um confronto direto com a realidade da violência de gênero. A programação não ficou no discurso raso: trouxe nomes da linha de frente da segurança pública para orientar a comunidade sobre os caminhos da denúncia e do amparo legal.
A assistente social Carla de Oliveira Lago dividiu a mesa com profissionais da Delegacia da Mulher, como a escrivã Denilce Santos. Durante a jornada, Denilce foi enfática ao destacar que a informação é a munição mais poderosa contra o agressor, pontuando que “muitas mulheres ainda têm receio de procurar ajuda, mas ações educativas como esta encorajam as vítimas a romperem o silêncio nas delegacias especializadas”. No mesmo tom, o escrivão Julyandrey Carmo reforçou que o conhecimento técnico compartilhado ali deve se tornar um efeito cascata, onde cada mulher presente atua como uma sentinela em seu círculo familiar e de amizades, ampliando a rede de prevenção na Ilha Tupinambarana.
Para as torcedoras e colaboradoras, o evento foi um divisor de águas. Neide Viana, integrante da Raça Azul, avaliou que a iniciativa do boi é fundamental para fortalecer a presença feminina nos espaços de poder. Segundo a torcedora, o encontro serviu para “reforçar a importância da informação para que possamos viver com respeito e liberdade”, transformando a Escola de Artes em um porto seguro para o debate. Entre rodas de conversa e dinâmicas, a organização do Boi Caprichoso reafirmou que o papel de um boi-bumbá moderno é educar e proteger o seu povo, incentivando o combate implacável a qualquer forma de opressão.




