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Amazonas interrompe imunização contra a dengue do Instituto Butantan após mortes sob investigação no país

Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP) adota medida preventiva após Ministério da Saúde registrar 42 casos de reações adversas severas; mais de 900 profissionais de saúde que tomaram a dose recentemente serão monitorados no estado
Por Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Publicado: 09/06/2026 10:31 Atualizado: 09/06/2026 10:31
Amazonas interrompe imunização contra a dengue do Instituto Butantan após mortes sob investigação no país
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MANAUS (AM) — O avanço da primeira vacina totalmente brasileira e de dose única contra a dengue sofreu uma freada brusca por determinação das autoridades sanitárias. Atendendo a uma orientação expressa do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) anunciou a suspensão por tempo indeterminado da aplicação da vacina Butantan-DV em todo o estado. A medida de segurança máxima entra em vigor imediatamente em todas as salas de imunização habilitadas.

Segundo os dados técnicos que fundamentaram o recuo generalizado, o Ministério da Saúde identificou que 42 pessoas vacinadas desenvolveram reações adversas severas. Os pacientes apresentaram um quadro clínico assustador, com sinais idênticos aos de um diagnóstico de dengue grave — incluindo dores abdominais intensas, vômitos que não cessam e episódios de sangramento —, culminando em três internações gravíssimas e duas mortes que estão passando por necropsia detalhada.

A Operação de Blindagem no Amazonas

Em solo amazonense, o lote enviado pelo Instituto Butantan tinha um público-alvo bem delimitado. A vacina vinha sendo injetada nos braços de médicos, enfermeiros e técnicos que atuam na linha de frente da Atenção Primária à Saúde. Das 25.580 doses que foram desembarcadas no estado no início deste ano, 5.780 profissionais já haviam sido imunizados. A operação local computou 84 notificações de Eventos Supostamente Atribuídos à Vacinação ou Imunização (Esavi), mas todas com sintomas considerados comuns e sem evolução para óbito.

O silêncio do governo estadual, contudo, incomoda os bastidores do jornalismo. Questionada diretamente pelo Portal Remador, a FVS-RCP se recusou a informar se alguma das duas mortes sob investigação federal ou dos casos de dengue grave simulados pela vacina ocorreu em municípios do Amazonas, mantendo em sigilo a distribuição geográfica das ocorrências graves.

“No Amazonas, a vacina estava sendo oferecida para profissionais da Atenção Primária à Saúde. Das 25.580 doses recebidas pelo estado, 5.780 já foram aplicadas e houve a notificação de 84 eventos supostamente atribuídos à vacinação ou imunização (Esavi), sem registro de óbitos relacionados ao imunizante. A decisão tem caráter preventivo e permanecerá em vigor até a conclusão das análises conduzidas pelas autoridades sanitárias”, garantiu a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim.

Rastreamento de 21 Dias e Estatísticas do Butantan

Para conter o pânico e garantir o acolhimento de quem tomou o imunizante recentemente, a gerência de Imunização da fundação montou uma malha de monitoramento de curto prazo. Sob a coordenação de Angela Desirée, as vigilâncias municipais estão rastreando o endereço e o prontuário de exatamente 916 pessoas que foram vacinadas no Amazonas nas últimas três semanas. O objetivo é prestar atendimento imediato caso surjam febres persistentes ou dores abdominais no período de incubação do imunizante.

No panorama nacional, a vacina nacional e de dose única do Butantan já havia atingido a marca de 500 mil pessoas imunizadas. Desse total de vacinados, o sistema computou 3.703 notificações de efeitos colaterais de qualquer natureza (cerca de 0,7% do total). O alerta real reside no fato de que os 42 casos com sinais de alarme representam 0,008% dos vacinados, uma taxa considerada ínfima estatisticamente, mas que exige interrupção imediata por se tratar de desfechos fatais. Em outras regiões de teste com 83,6 mil imunizados entre 15 e 49 anos — como em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Araguaína (TO) —, nenhum efeito colateral severo foi detectado.

Foto de Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Redação Remador

Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM

Weliton Nunez é jornalista profissional (MTB 1697/AM) com ampla experiência na cobertura política, econômica e cotidiana do Amazonas. Fundador do Portal Remador, dedica-se a levar informação precisa sobre Manaus e os municípios do interior, com foco em transparência e interesse público. Especialista em análise política regional e cobertura das Eleições 2026.