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Reino Unido da Liberdade refunda Ala de Compositores e impõe regra de exclusividade para o Carnaval

Sob a liderança do sambista Bosco Saraiva, agremiação reúne renomados compositores do samba de Manaus, abre inscrições para novos talentos até 30 de julho e proíbe poetas da casa de assinarem obras para concorrentes do Grupo Especial
Por Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Publicado: 05/06/2026 12:20 Atualizado: 05/06/2026 12:20
Reino Unido da Liberdade refunda Ala de Compositores e impõe regra de exclusividade para o Carnaval
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MANAUS (AM) — O barracão da verde e branco voltou a pulsar forte e com um recado claro de soberania para o Carnaval de Manaus. Na noite desta quinta-feira (04/06), a Escola de Samba Reino Unido da Liberdade promoveu uma reviravolta em seus bastidores ao refundar oficialmente a sua Ala de Compositores. O movimento, encabeçado pelo renomado compositor e sambista Bosco Saraiva, costurou um pacto de lealdade entre os grandes nomes que moldaram a identidade musical do Morro da Liberdade ao longo das últimas décadas.

Segundo as diretrizes aprovadas no encontro, a Reino Unido passa a exigir dedicação exclusiva de seus poetas. A partir do dia 1º de julho, quem assinar samba-enredo na Reino Unido não poderá colocar o nome em parcerias concorrentes de nenhuma outra escola do Grupo Especial de Manaus. A medida visa resgatar o orgulho de “vestir a camisa” e evitar que segredos táticos e melodias estratégicas vazem para os rivais na disputa pelo título.

Na reunião, foram definidas as diretrizes que nortearão o trabalho da Ala daqui em diante — um conjunto de regras pensadas para fortalecer a identidade da escola e valorizar quem veste essa camisa com amor. O principal recado é claro: a Reino Unido quer compositores que batam no peito e digam “sou da casa”.

A partir de agora, os membros da Ala de Compositores da Reino Unido não poderão concorrer com sambas enredos em outras escolas do Grupo Especial de Manaus. A exclusividade é um gesto de respeito e de pertencimento — a escola quer que seus compositores pensem, respirem e criem para o Morro da Liberdade.

A regra, no entanto, não engessa a criatividade de ninguém. Depois que participarem do evento de apresentação de suas composições na Reino Unido, os compositores seguem livres para criar e concorrer em escolas de outros grupos, além de blocos e bandas. O samba é livre — mas o primeiro compromisso é com a escola.

Tradição Contra o “Mercado do Samba”

Junho e julho serão meses de celebração e acolhimento. A Ala de Compositores está com as inscrições abertas para novos membros até o dia 30 de julho. Qualquer apaixonado pelo samba que queira fazer parte desse seleto grupo tem até essa data para se inscrever.
Mas entrar na Ala tem um ritual sagrado: o candidato precisa apresentar um samba em exaltação à Escola de Samba do Morro. É a prova de amor, o passaporte de entrada. Uma forma de garantir que quem chega já chega cantando para a escola — e que os novos poetas encontrem na convivência com os veteranos o combustível para criar grandes sambas.
No dia 1º de agosto, a Ala será oficialmente fechada e haverá um lançamento especial — com os atuais e os novos componentes — para marcar o início de uma nova era na história da composição da Reino Unido da Liberdade.

Nos últimos anos, tornou-se comum no Carnaval manauara que um mesmo compositor participasse de disputas em várias agremiações simultaneamente. Ao restabelecer a velha guarda de abnegados — que inclui Jorge Halen (Chocolate), Carlos Nascimento, João Guilherme, Judson Sicsú, Arnoldo Cabral, Adelino Aquino, Zé Mário, Jackson Sicsú, Gilson Nogueira, Madureira, Luciano Sá, Fabio Soldado, William Pimentel e Alexandre —, Bosco Saraiva resgata uma filosofia de pertencimento.

A regra, porém, oferece uma válvula de escape criativa: após o festival interno da Reino Unido, os poetas ficam liberados para criar músicas para blocos, bandas e escolas de grupos de acesso. O foco principal é blindar a joia da coroa, que é o desfile principal no Sambódromo.

“Nós estamos, na verdade, preparando o futuro da nossa escola de samba. É uma retomada da tradição antiga, que era fechar a Ala. O objetivo é oxigenar o ambiente, melhorar e especialmente oportunizar novos compositores do Morro da Liberdade e adjacências que são amantes da Reino Unido. Queremos o encontro dos novos poetas com os veteranos para que brotem sambas melhores, mais ricos e identitários”, explicou o líder do movimento, Bosco Saraiva.

“Nós estamos, na verdade, preparando o futuro da nossa escola de samba”, resumiu Bosco Saraiva ao falar sobre o significado do movimento. Para o sambista, a refundação da Ala é mais do que uma simples decisão — é uma retomada de valores. “É uma retomada da tradição antiga, que era fechar a Ala”, explicou.
O objetivo vai além de organizar quem canta para quem. A proposta é oxigenar o ambiente criativo da escola, fazendo o encontro entre diferentes gerações — os novos poetas que estão surgindo e os compositores veteranos como Chocolate, Gilson Nogueira, Mestre Arnoldo, Carlão e Sicsú, que carregam décadas de história no peito. Dessa convivência, Bosco espera que brotem sambas melhores, mais ricos, mais identitários.
“Melhorar e especialmente oportunizar novos compositores do Morro da Liberdade e adjacências que são amantes da Reino Unido e da Liberdade. Amor e paixão pela Reino” — essa é a visão que move o grupo.

Passaporte de Entrada e Próximos Passos

A nova era da Ala de Compositores também abre espaço para a oxigenação de talentos. As inscrições para novos membros estão oficialmente abertas e se estendem até o dia 30 de julho. Contudo, o processo seletivo impõe um ritual sagrado de avaliação: o candidato precisa compor e apresentar uma obra inédita em exaltação à história da Reino Unido da Liberdade.

E para quem já está de olho no próximo desfile: as novas regras valem já a partir de 1º de julho. A refundação da Ala não é um projeto para o futuro distante — é um movimento que começa agora, com impacto direto no processo de escolha do samba enredo da Reino Unido para o Carnaval que vem aí.
O Morro da Liberdade está se preparando. O tambor chamou. E os compositores responderam — com samba no pé e amor no coração pela Reino Unido da Liberdade.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Inscrições para novos membros da Ala de Compositores: até 30 de julho
Lançamento oficial da Ala: 1º de agosto
Escola de Samba Reino Unido da Liberdade — Morro da Liberdade, Manaus/AM

Foto de Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM
Redação Remador

Weliton Nunez | jornalista | MTB 1697/AM

Weliton Nunez é jornalista profissional (MTB 1697/AM) com ampla experiência na cobertura política, econômica e cotidiana do Amazonas. Fundador do Portal Remador, dedica-se a levar informação precisa sobre Manaus e os municípios do interior, com foco em transparência e interesse público. Especialista em análise política regional e cobertura das Eleições 2026.