A madrugada na zona Leste de Manaus não perdoa quem atravessa o caminho do poder paralelo. Na manhã desta quinta-feira (12), o asfalto da Travessa São Raimundo, no Coroado 3, serviu de vitrine para a crueldade: o corpo de um morador de rua, identificado apenas como Rodrigo (25 a 30 anos), foi deixado com marcas de um espancamento selvagem. A perícia criminal foi curta e grossa: o homem passou por uma sessão de tortura antes de ter a vida interrompida. O cadáver estava a poucos metros da casa abandonada onde ele tentava sobreviver ao relento, provando que nem a miséria extrema serviu de escudo contra a fúria dos criminosos.
O “recado” foi dado sob a assinatura do Tribunal do Crime. Relatos colhidos no “fio da navalha” entre os moradores indicam que Rodrigo foi caçado durante a madrugada. O crime? Pequenos furtos na área o tipo de delito que a polícia demora a atender, mas que as facções “resolvem” com sangue para simular uma ordem que o Estado não entrega. Policiais da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) isolaram a cena, mas o silêncio imperou no local. O Instituto Médico Legal (IML) removeu o corpo, enquanto a Polícia Civil abria mais um inquérito que entra para a conta da guerra urbana que sangra a capital.




