A assinatura de contratos entre frigoríficos de médio e grande porte e associações de pescadores locais está mudando a realidade de comunidades ribeirinhas no Amazonas. A formalização das vendas assegura valores definidos, datas de pagamento programadas e fim da incerteza que marcava a atividade tradicional.
Mais de 10 mil profissionais da pesca, distribuídos em municípios como Manacapuru, Beruri, Anamã, Fonte Boa, Maraã e Parintins, agora comercializam seus peixes com segurança, abastecendo mercados nacionais e internacionais, incluindo Peru, Colômbia e Estados Unidos. Todo o processo segue normas ambientais rigorosas, garantindo sustentabilidade.
Profissionalização e renda crescente
Leandro Seixas, coordenador de Pesca do Lago Cuianã, em Beruri, destaca que a atuação da Frigopesca, instalada em Manacapuru, trouxe profissionalização para os ribeirinhos. “Antes recebíamos R$ 100 por pescador e não tínhamos material adequado. Hoje, a empresa compra nosso peixe todos os anos, paga corretamente e nos ajudou a construir a reserva, protegendo a natureza e nossas famílias”, relatou.
Na última safra, os pagamentos variaram entre R$ 5 mil e R$ 20 mil, um salto significativo em comparação aos primeiros valores recebidos. A segurança nos contratos também permite planejamento financeiro e investimentos em infraestrutura familiar.
Melhoria da qualidade de vida
Raimundo Vidinha, pescador desde os 11 anos, lembra que a chegada dos frigoríficos reduziu a sobrecarga de trabalho e elevou a qualidade de vida. “Agora entregamos o peixe diretamente ao barco da empresa e recebemos sem precisar lidar com processos complexos, como salga e secagem. O preço melhorou e o trabalho ficou mais seguro”, afirmou.
Amarilson Bastos, que atua com cerca de 93 pescadores no Lago do Cuianã, reforça que a formalização encerrou problemas com compradores clandestinos. “Antes não confiávamos nos compradores, hoje assinamos contratos e temos certeza de receber. É uma segurança para todos nós”, disse.
Crescimento socioeconômico
O empresário Raimundo Chikó, proprietário da Frigopesca, confirma que os investimentos impulsionaram a vida dos ribeirinhos. “Hoje, quase todo comunitário tem motorzinho, material de pesca e uma casa equipada. O retorno financeiro fortaleceu a comunidade”, destacou.
Além da Frigopesca, empresas como Bio Pescados da Amazônia (Iranduba) e Friolins (Manacapuru) participam do mercado, comprando peixes certificados (SIF, FDA) e garantindo renda estável às comunidades.
O manejo sustentável do pirarucu, segundo Raimundo Lima de Souza, da Friolins, ampliou a cadeia produtiva, beneficiando pescadores em Beruri, Anamã, Anori, Tefé, Coari e Fonte Boa. Em 2025, foram adquiridas 220 toneladas de pirarucu, além de outras espécies como dourado, filhote, jaú e pirarara, envolvendo diretamente cerca de 300 ribeirinhos.
Outro fator de crescimento é o aproveitamento da pele do pirarucu, vendida a empresas de biojoias, bolsas e calçados. As peles exportadas para Estados Unidos, México e Europa geram valor agregado, reforçando o impacto socioeconômico da pesca no Amazonas.
“Com o manejo e os contratos, os ribeirinhos conseguem estabilidade financeira, melhores condições de vida e incentivo à preservação ambiental. É uma transformação que beneficia famílias, comunidades e toda a economia local”, concluiu Raimundo Silva, exportador de peixes para várias capitais brasileiras e países do exterior.
