O Carnaval do Rio de Janeiro sempre foi espaço de crítica social e leitura política do Brasil. Em 2026, porém, a política deixa de ser subtexto e assume o centro da avenida. A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, abrirá o desfile do domingo principal com um enredo biográfico e declaradamente elogioso ao presidente Lula, em pleno ano eleitoral.
RESUMO DO REMADOR +
- O Carnaval do Rio de Janeiro sempre foi espaço de crítica social e leitura política do Brasil.
- Em 2026, porém, a política deixa de ser subtexto e assume o centro da avenida.
- A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, abrirá o desfile do domingo principal com um enredo biográfico e declaradamente elogioso ao presidente Lula, em pleno ano eleitoral.
Batizado de “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o samba-enredo não aposta em metáforas nem em ambiguidades. A escolha provocou reação imediata de aliados e opositores do presidente, sobretudo pelo peso simbólico do momento: trata-se do horário de maior audiência do Carnaval, transmitido pela televisão para o Brasil e para o mundo, diretamente da Marquês de Sapucaí.
O impacto político se intensifica com a sinalização de que Lula estará presente no desfile, no camarote, ao lado de ministros e aliados. Para o cientista político Elias Tavares, o problema não está no Carnaval em si, mas no uso do evento como instrumento de disputa eleitoral.
“O Carnaval sempre foi político. O erro começa quando ele vira ferramenta eleitoral explícita, ainda mais com um presidente em exercício ocupando o maior palco cultural do país em ano eleitoral. O ganho simbólico para Lula é evidente, mas o custo institucional é alto e previsível”, afirma.
A controvérsia ganha densidade diante do financiamento público do Carnaval. Embora os repasses às escolas sigam critérios formais e impessoais, o efeito político é concreto: recursos que transitam pelo poder público ajudam a viabilizar um desfile que promove a imagem de um presidente no período pré-eleitoral. Esse ponto tem sido o principal combustível das ações já levadas à Justiça.
Segundo o advogado Diego Tavares, o conteúdo do samba é central para a análise jurídica.
“Não se trata de uma homenagem neutra. A letra faz referência direta à eleição de 2022, ao jingle histórico do presidente, a slogans recorrentes de campanha, à defesa da soberania e até ao número do partido. Esses elementos criam um vínculo objetivo com a disputa de 2026”, explica.
Na avaliação dos dois especialistas, mesmo que não haja condenação final, o simples processo de judicialização já produz efeitos políticos relevantes. A oposição tende a explorar o episódio para gerar desgaste administrativo e tensionar o ambiente institucional, inclusive no Tribunal Superior Eleitoral.
Há também um alerta histórico. Em 2006, a escola Leandro de Itaquera associou seu desfile a uma disputa presidencial. A agremiação acabou rebaixada e ficou marcada. Não se pode estabelecer causalidade direta, mas o episódio é lembrado como exemplo dos riscos de partidarizar a avenida.
“Quando a escola vira palanque, o prejuízo costuma aparecer primeiro para a própria escola. A Acadêmicos de Niterói é jovem, estreia no Grupo Especial e assume um risco alto ao se politizar dessa forma logo na largada”, observa Elias Tavares.
Para Diego Tavares, a crise poderia ter sido evitada com uma escolha simples de timing.
“Uma homenagem desse tipo fora do calendário eleitoral dificilmente geraria esse nível de conflito. Ao acontecer agora, abre-se espaço para sanções, debates sobre propaganda antecipada e até questionamentos mais profundos sobre o processo eleitoral”, conclui.
Antes mesmo de a campanha começar oficialmente, a eleição de 2026 já ganhou ritmo, fantasia e trilha sonora. Desta vez, não apenas nos bastidores da política, mas no centro da avenida.
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