O número de venezuelanos atendidos pelo programa Bolsa Família ultrapassou a marca de 205 mil beneficiários em 2025, evidenciando os efeitos prolongados da crise humanitária iniciada na Venezuela em 2014 e o impacto direto da migração no sistema de proteção social brasileiro.
Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mostram que o total de venezuelanos beneficiados saltou de 1.076 pessoas em 2017 para 205.587 em setembro de 2025, um crescimento superior a 190 vezes em menos de uma década. Em 2021, eram 54.477 beneficiários; em 2023, o número já havia mais que dobrado, alcançando 185.633.

Atualmente, os venezuelanos representam 61% de todos os estrangeiros atendidos pelo Bolsa Família, que reúne cerca de 331 mil beneficiários de 211 nacionalidades diferentes. Estimativas indicam que aproximadamente 582 mil venezuelanos vivem hoje no Brasil, o que significa que um em cada três recebe o benefício federal.
A maior parte desse contingente entrou no país pelo estado de Roraima, principal porta de entrada da migração venezuelana, com apoio da Operação Acolhida, iniciativa humanitária criada em 2018 para organizar o fluxo migratório, garantir assistência emergencial e promover a interiorização dessas famílias para outros estados brasileiros.
Segundo o MDS, não há impedimento legal para que estrangeiros residentes no Brasil recebam o Bolsa Família. Desde a criação do programa, em 2003, famílias de outras nacionalidades podem ser incluídas, desde que estejam inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e atendam aos critérios de renda, atualmente fixados em até R$ 218 por pessoa. A análise de elegibilidade é realizada mensalmente, independentemente da nacionalidade ou da condição migratória.
Apesar do crescimento acumulado ao longo dos anos, os dados apontam que em setembro de 2025 houve uma redução de 6% no número de venezuelanos atendidos em relação a dezembro de 2024, acompanhando a diminuição geral do programa, que passou de 20,5 milhões para cerca de 19 milhões de famílias beneficiadas em todo o país.
Depois dos venezuelanos, os principais grupos estrangeiros atendidos pelo Bolsa Família são bolivianos (25.227), angolanos (14.031), paraguaios (12.731), cubanos (12.465) e haitianos (11.751). Em menor número aparecem argentinos, colombianos, peruanos e portugueses.
