O Conselho Regional de Farmácia do Amazonas (CRF-AM) informou, neste sábado (29), que uma vistoria técnica realizada no Hospital Santa Júlia, em Manaus, identificou falhas graves no fluxo de assistência farmacêutica da unidade. Segundo o órgão, não há análise farmacêutica prévia das prescrições emitidas nas farmácias satélites do pronto-socorro e do centro cirúrgico — etapa considerada essencial para a segurança dos pacientes.
De acordo com o CRF-AM, o hospital atribuiu a ausência do procedimento ao número reduzido de farmacêuticos contratados.
“A fiscalização verificou os fluxos de assistência farmacêutica e constatou que não há análise farmacêutica prévia das prescrições emitidas […] em razão do quadro reduzido de farmacêuticos informado pela instituição”, afirma a nota.
A vistoria ocorreu após a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que deu entrada na unidade com suspeita de laringite e recebeu doses de adrenalina por via intravenosa — procedimento prescrito pela médica Juliana Brasil e aplicado pela técnica de enfermagem Raíza Bentes. A criança sofreu seis paradas cardíacas e morreu na madrugada do dia 24. A médica afirma que orientou verbalmente outra conduta; a técnica diz ter seguido exatamente o que estava registrado. Ambas foram afastadas pela direção do hospital.
O CRF-AM destacou que “ficou evidenciado que não houve participação do profissional farmacêutico na dispensação do medicamento envolvido no caso” e informou que está analisando protocolos internos e documentos entregues pelo hospital. O relatório oficial será encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Civil.
O conselho reforçou que a presença do farmacêutico “em todas as etapas do processo de medicação é requisito legal e essencial para a segurança dos pacientes” e afirmou que seguirá acompanhando o caso.
Procurado pelo Portal Remador, o Hospital Santa Júlia informou que o caso está sob investigação da Polícia Civil e que não irá se manifestar no momento.
Com informações do Amazonas Atual
