A 5ª rodada de pesquisas do instituto Direto ao Ponto traz uma revelação técnica crucial: a saída de Wilson Lima da disputa não fortalece o líder Eduardo Braga, mas sim os nomes que ocupam as raias da direita e do centro-gestão. No Cenário 1 (com Wilson), Braga tinha 22%. No Cenário 2 (sem Wilson), ele oscila para 23% um crescimento tímido perto da margem de erro.
Em contraste, Capitão Alberto Neto salta de 18% para 19% e Marcos Rotta apresenta uma evolução significativa, subindo de 12% para 16%. O movimento sugere que o eleitor que votaria em Wilson Lima busca agora perfis ligados à segurança ou à gestão municipal, distanciando-se da figura tradicional de oposição nacional.
A curva de conhecimento da pesquisa é o dado que mais deve preocupar os veteranos.
- Eduardo Braga: Já é conhecido por 95% da população (66% conhecem muito). Isso indica que ele já atingiu o seu “teto” de conhecimento; sua missão agora é reduzir a rejeição (14%).
- Capitão Alberto Neto: Tem o maior “gap” de oportunidade. 30% ainda não o conhecem e 46% apenas “ouviram falar”. Se converter conhecimento em intenção na mesma proporção atual, ele pode ultrapassar Braga.
- Plínio Valério: Enfrenta um cenário de estagnação. Mesmo sendo senador, 34% não o conhecem, e sua intenção de voto no 1º voto é de apenas 8%, dependendo excessivamente do 2º voto (16%) para se manter competitivo.
Um dado explosivo da pesquisa é a tendência de independência. Ao serem questionados sobre o que faz mais sentido para as duas vagas, 38,9% dos eleitores afirmaram que preferem candidatos independentes, rejeitando a polarização Lula vs. Bolsonaro. Este bloco de eleitores é o que decidirá a segunda vaga. Os candidatos que colarem excessivamente em figurões nacionais podem “bater no teto” precocemente, enquanto nomes como Rotta e o próprio Braga (em sua nova fase) tentam navegar nessa avenida da independência.
ANÁLISE DO REMADOR (por Weliton Nunez)
A saída de Wilson Lima “limpou” o campo para Marcos Rotta. No interior, Rotta ainda precisa se tornar conhecido (36% não o conhecem), mas sua baixa rejeição (11%) o torna o candidato “segunda opção” ideal para o eleitor de Braga ou de Alberto Neto.
A Análise do Remador indica que teremos uma campanha de “tiro curto” e alta agressividade. Como são duas vagas, a estratégia de Alberto Neto de ser o “Senador do Bolsonaro” garante a ele um piso de 30%, mas o deixa vulnerável ao teto da polarização. Já Eduardo Braga joga o jogo da estrutura e do recall, tentando nacionalizar a disputa para esmagar candidatos menores. O perigo real para os favoritos reside na ascensão de Marcelo Ramos, que embora tenha rejeição de 15%, possui um discurso técnico que pode atrair o eleitor independente caso a economia nacional melhore. O “consenso” nas mesas de articulação é que o Amazonas enviará um nome da “velha guarda” e um “fato novo” para o Senado em 2026. A briga é para saber quem será o rosto da renovação.




