O movimento em direção à direita, tentando posicionar o MDB mais ao centro, deixou de ser um ensaio de bastidor para se tornar um documento formal. Na terça-feira (3), caciques de 17 estados entregaram a Baleia Rossi um manifesto por neutralidade presidencial.
O objetivo é claro: evitar as “amarras” de um projeto nacional unificado que prejudique palanques regionais onde o MDB está coligado com partidos de oposição ao governo federal. Signatários de peso como os prefeitos Ricardo Nunes (SP) e Sebastião Melo (Porto Alegre), além de vice-governadores que assumirão estados em abril, lideram o coro da “liberdade regional”.
Em visita a Manaus nesta quarta-feira (4), Baleia Rossi foi enfático: o destino do MDB no Amazonas pertence a Eduardo Braga. O anúncio ocorre em um momento delicado, onde Braga equilibra sua influência no Governo Lula com a necessidade de manter uma base plural no estado.
“Eduardo Braga é uma grande liderança e ele vai decidir o papel do MDB no Amazonas. Respeitamos as diferenças regionais; o MDB é plural e defende a democracia”, afirmou Rossi. A declaração isola o diretório amazonense das pressões da ala sulista, garantindo que Braga possa costurar sua própria estratégia para o Senado ou o Governo do Estado em 2026.
ANÁLISE DO REMADOR
O MDB está operando em seu modo de sobrevivência clássico: a lógica federativa acima da ideológica. Ao exigir neutralidade, o partido não está “abandonando” Lula por convicção de direita, mas sim garantindo que poderá negociar com quem vencer a eleição no dia seguinte à apuração. A estratégia de “pensar a política de baixo para cima” permite ao MDB manter seus três ministérios atuais sem entregar a fidelidade das urnas em 2026.
No Amazonas, a “carta branca” dada a Eduardo Braga significa que o tabuleiro local será decidido em Manaus, e não em Brasília. Isso aumenta o peso das alianças municipais e estaduais, tornando Braga o “fiel da balança” para qualquer candidato que deseje o apoio da máquina emedebista. Para o eleitor, o sinal é de que o MDB continuará sendo o porto seguro do pragmatismo: perto do poder, mas nunca totalmente dentro de um único projeto. A Análise do Remador indica que o “consenso” no MDB é um mito; a força real está na fragmentação calculada.




