Manaus – Uma investigação da Polícia Federal, revelada nesta quarta-feira (31) em reportagem do UOL, aponta indícios de conexão entre três empresários do Amazonas e o deputado federal Adail Filho (Republicanos-AM), além do pai dele, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), em um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver parlamentar com foro privilegiado e aguarda definição de relatoria.
Os três empresários César de Jesus, Vagner Moitinho e Erick Saraiva foram detidos em maio no Aeroporto Internacional de Brasília, após desembarcarem de um voo vindo de Manaus, transportando R$ 1,2 milhão em espécie em malas. Segundo a PF, os investigados não apresentaram comprovação documental da origem do dinheiro, e houve contradições nos depoimentos.
A investigação analisa possíveis irregularidades em contratos no interior do Amazonas, especialmente em Coari, cidade com histórico de denúncias envolvendo o uso de verbas públicas. Há indícios de vínculos comerciais entre empresas dos empresários presos e a prefeitura do município, além de movimentações financeiras associadas a emendas parlamentares federais. Elementos colhidos por meio de quebra de sigilo telemático e bancário fundamentaram o envio do caso ao STF.
Segundo o UOL, há registros de pelo menos R$ 6 milhões em contratos suspeitos envolvendo a Prefeitura de Coari e empresas ligadas aos investigados. Decisão da 2ª Vara Criminal do Distrito Federal cita “indícios de atuação” do deputado e do prefeito nas negociações, o que motivou a remessa ao Supremo. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para analisar o caso.
As defesas de Adail Filho e Adail Pinheiro negam irregularidades. O deputado afirma não possuir relação comercial com os investigados, e que apenas ofereceu apoio político e estrutural a um deles, por solicitação de aliados em Presidente Figueiredo, prática que classifica como comum em seu mandato. Já o advogado Fabrício Parente, que representa parte dos citados, sustenta que o transporte do dinheiro “não configura crime” e que os políticos e empresários “são vítimas de preconceito das autoridades”.
Os três empresários estão em liberdade e negam participação em lavagem de dinheiro. O processo segue sob sigilo parcial e deve avançar após a definição do relator no STF.
A reportagem do Remador continuará acompanhando o caso e buscará posicionamento oficial da Prefeitura de Coari, do gabinete do deputado federal e da Polícia Federal.
