O médico boliviano Humberto Fuertes Estrada, suspeito de omissão e homicídio qualificado que resultaram na morte de um bebê recém-nascido em Eirunepé, foi preso neste sábado (29/11) em Manaus. A ação foi cumprida pela Polícia Federal após trabalho investigativo conduzido pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que rastreou os deslocamentos do profissional e identificou risco concreto de fuga para a Bolívia.
Segundo os delegados Yezuz Pupo e Alcir Rodrigues, as diligências começaram imediatamente após o caso ser registrado. No dia seguinte à morte do bebê, o médico deixou Eirunepé de forma repentina, sem comunicar autoridades.
“Ele foi para Envira e, de lá, seguiu para Feijó, no Acre, com a intenção de seguir para a Bolívia, pois tem dupla nacionalidade. Obtivemos a lista de passageiros e confirmamos que ele estava entre eles”, afirmou o delegado Yezuz.
Diante da tentativa de fuga, a Polícia Civil representou à Justiça pela prisão preventiva, que foi decretada. Novas informações indicaram que o suspeito havia retornado a Manaus, momento em que a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) iniciou rastreamento de endereços e locais frequentados por ele.
Com os dados repassados pela PC-AM, a Polícia Federal localizou o médico próximo à sua residência, em um supermercado, onde ele sacava dinheiro. Apenas então ocorreu o cumprimento do mandado de prisão. Humberto passará por audiência de custódia e permanecerá à disposição da Justiça.
Entenda o caso
Humberto Fuertes era o médico plantonista do Hospital Regional de Eirunepé Vinícius Conrado na madrugada de sábado (22), quando uma gestante de 18 anos deu entrada necessitando de atendimento urgente para parto.
Segundo a investigação, o médico não compareceu à unidade, não atendeu ligações e não respondeu à equipe que foi até sua residência. Ele só chegou ao hospital por volta das 9h — cerca de cinco horas após o início do trabalho de parto.
O bebê nasceu em estado crítico e morreu cerca de uma hora depois. Testemunhas afirmam que a criança teria aspirado fezes e restos de placenta. A Secretaria de Saúde de Eirunepé afastou o médico, e a SES-AM acompanha o caso. A família da gestante recebe assistência psicológica e médica da rede municipal.
A Polícia Civil segue a investigação sobre a conduta do médico, que pode responder por homicídio qualificado por omissão.
