Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, na manhã deste sábado (3 de janeiro de 2026), a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que Nicolás Maduro é o “único presidente legítimo” do país e exigiu sua libertação imediata, assim como a de sua esposa, Cilia Flores, após a captura do chefe de Estado por militares dos Estados Unidos durante ataques realizados na madrugada.
Delcy Rodríguez aparece en rueda de prensa pidiendo la liberación de Maduro y Cilia.
— Emmanuel Rincón (@EmmaRincon) January 3, 2026
Trump dió a entender que ella colaboraría hasta una eventual transición a la democracia. Ella no parece comprometida. Necesitamos más extracciones.pic.twitter.com/MgvsM5oyOm
“Exigimos a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, o único presidente da Venezuela, e de sua esposa, Cilia Flores. Jamais seremos escravos. Jamais voltaremos a ser colônia de qualquer império”, afirmou Delcy, em tom duro, ao acusar Washington de promover uma agressão direta à soberania venezuelana.
Forças armadas ativadas em todo o território
Segundo a vice-presidente, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) foi ativada e implantada em todo o território nacional, com o objetivo de defender o país diante do que classificou como uma invasão estrangeira.
“A Força Armada Nacional Bolivariana está ativada e implantada em todo o território nacional. Estamos prontos para defender a Venezuela. Estamos prontos para defender nossos recursos naturais”, declarou.
Delcy afirmou ainda que todos os órgãos do Estado venezuelano foram acionados, com base em um decreto de comoção externa assinado anteriormente por Maduro, para garantir a integridade territorial e a independência nacional.
Pronunciamento após fala de Trump
A declaração da vice-presidente ocorreu minutos após o encerramento da coletiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele afirmou que Washington iria “governar temporariamente” a Venezuela até uma transição considerada segura, além de admitir que empresas norte-americanas explorariam o petróleo venezuelano durante esse período.
Para o governo venezuelano, a ofensiva dos EUA tem como objetivo controlar os recursos naturais do país, especialmente o petróleo, sob o que Delcy classificou como “falsos pretextos”.
Maduro, segundo ela, teria sido “sequestrado” por volta de 1h58 da madrugada deste sábado.
Conselho de Defesa da Nação
O pronunciamento foi feito após reunião do Conselho de Defesa da Nação, que contou com a presença de autoridades centrais do regime, como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e a presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Caryslia Rodríguez.
Durante o encontro, Delcy convocou todos os poderes e organizações do país a manterem a calma e reforçou o discurso de unidade nacional.
“Que essa fusão policial-militar-popular se converta em um só corpo para defender nossa soberania, nossa independência e nossa integridade territorial”, disse.
Acusações de intervenção e reação internacional
Delcy Rodríguez classificou a ação dos Estados Unidos como um ato de barbárie, uma violação flagrante dos direitos humanos e um ataque direto à soberania venezuelana. Segundo ela, os responsáveis pela agressão armada serão responsabilizados.
A vice-presidente também agradeceu manifestações de solidariedade de outros países e alertou para o impacto global da ação.
“O que fizeram hoje com a Venezuela, amanhã podem fazer com qualquer outra nação. Esse uso brutal da força para quebrar a vontade de um povo pode ser repetido em qualquer lugar”, afirmou.
Contexto histórico e acusações contra Maduro
O ataque marca um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão militar norte-americana na região ocorreu em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado sob acusações de narcotráfico.
Assim como no caso panamenho, o governo dos EUA acusa Maduro de liderar o suposto Cartel de Los Soles, alegação contestada por especialistas em tráfico internacional de drogas, que questionam a existência do grupo. Antes da operação, Washington oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano.
Para críticos internacionais, a ofensiva tem motivação geopolítica, buscando afastar a Venezuela da influência de China e Rússia e ampliar o controle norte-americano sobre o petróleo do país, que possui as maiores reservas comprovadas do mundo.
